A temporada de 2026 sequer começou, mas uma das discussões mais interessantes para entender o futuro dos Seahawks passa por olhar um ano à frente.
Quando analisamos a possível classe de free agents de Seattle em 2027, a primeira impressão é de tranquilidade. Diferentemente do que aconteceu na última offseason, quando o time precisou lidar com saídas importantes como Kenneth Walker III, Boye Mafe e Riq Woolen, o grupo projetado para 2027 é relativamente enxuto. Grande parte do núcleo campeão já possui contratos de longo prazo, resultado direto da estratégia agressiva adotada por John Schneider nos últimos dois anos.
Isso não significa, porém, que a franquia esteja livre de decisões importantes.
Na verdade, o exercício de observar quem estará entrando em último ano de contrato ajuda a identificar quais jogadores realmente fazem parte dos planos de longo prazo e quais podem estar entrando em uma espécie de temporada de avaliação final.
O nome mais importante da lista é provavelmente o de Leonard Williams.
Mesmo chegando aos 32 anos em 2027, Williams continua sendo um dos pilares da defesa de Mike Macdonald. Sua capacidade de gerar pressão pelo interior da linha defensiva é difícil de substituir e o impacto vai muito além dos sacks. A questão não será se ele ainda é um bom jogador, mas sim quanto Seattle estará disposto a investir em um defensor entrando na reta final da carreira.
Outro veterano que merece atenção é Jason Myers.
Myers continua sendo um dos kickers mais confiáveis da NFL (mesmo que cause calafrios na torcida ao errar alguns chutes fáceis), mas especialistas da posição frequentemente entram em uma zona de avaliação anual quando ultrapassam os 35 anos. Seattle historicamente não hesita em buscar alternativas mais baratas quando acredita que a diferença de desempenho não justifica a diferença salarial. Isso não significa que Myers esteja em risco imediato, mas sua situação será uma das mais interessantes para acompanhar nos próximos ciclos de offseason.
Outro caso interessante é o de Uchenna Nwosu.
Há dois anos parecia impossível imaginar que Nwosu ainda estaria no elenco em 2027. Lesões consecutivas colocaram dúvidas sobre seu futuro, mas sua recuperação e contribuição durante a campanha do Super Bowl mudaram completamente a narrativa. Ainda assim, pass rushers veteranos costumam enfrentar decisões difíceis quando entram na casa dos 30 anos, especialmente quando a equipe precisa equilibrar investimentos entre veteranos e jovens talentos.
Entre os jogadores da classe de Draft de 2023, nenhum nome parece mais importante do que Derick Hall.
Após a saída de Mafe, Hall ganhou ainda mais responsabilidade e é visto por muitos como o próximo grande EDGE da franquia. Se sua evolução continuar, existe uma boa chance de que Seattle sequer permita que ele se aproxime da free agency. Essa extensão é uma das que mais tenho medo. Hall até o momento é muito mais projeção do produção, o contrato novo deve refletir isso.
Outro nome que merece atenção é Zach Charbonnet.
A saída de Kenneth Walker III transformou Charbonnet em uma peça muito mais importante dentro do ataque. Durante anos ele foi visto como um bom RB2, alguém capaz de complementar um corredor explosivo com sua força entre os tackles e confiabilidade em situações de passe. Agora, porém, a discussão é diferente.
Seattle precisará decidir se Charbonnet é apenas um running back funcional dentro do sistema ou se merece um investimento de longo prazo. Essa é uma decisão particularmente complicada na NFL moderna, onde poucas franquias estão dispostas a gastar grandes quantias em segundos contratos para corredores. A lesão que deve fazer com que ele perca alguma parte da temporada e o investimento em Jadarian Price não são bons presságios para o ex-RB de UCLA.
Anthony Bradford é o nome mais amado pela torcida (contém ironia).
Desde que chegou à liga, Bradford alternou momentos promissores com períodos de “constante inconstância”. Ainda assim, a evolução da linha ofensiva sob Mike Macdonald e o desenvolvimento de vários jovens jogadores criaram um cenário interessante. Eu acredito que ele e sua boa quantidade de jogos como titular, irão lhe render um contrato maior do que projetam, eu apenas espero que não seja Seattle a fazer isso.
Mas talvez a parte mais interessante dessa discussão não esteja entre os futuros free agents.
Ela está nos jogadores que podem sequer chegar a 2027 como membros do elenco.
O exemplo mais óbvio é Jarran Reed.
Embora continue sendo um jogador valioso dentro da rotação defensiva, Reed terá 34 anos quando a temporada de 2027 começar. Em uma posição física e desgastante como defensive tackle, essa idade costuma representar um ponto crítico. Dependendo do desenvolvimento de jogadores mais jovens e das opções disponíveis no Draft, não seria surpreendente ver Seattle economizando recursos e abrindo espaço para uma renovação na posição. O fato de parte de seu salário já ter se tornado garantido para 2026 praticamente assegura sua permanência neste ano, mas não diz nada sobre 2027.
Outro nome que merece atenção é o de Cooper Kupp.
A contratação foi um sucesso dentro do contexto da campanha do Super Bowl, mas a estrutura do contrato sempre indicou uma possível porta de saída antes do encerramento completo do vínculo. O acordo foi construído de forma que Seattle mantenha flexibilidade para avaliar sua situação ano após ano. Em 2027, Kupp estará próximo dos 34 anos, uma idade em que poucos recebedores conseguem manter produção de elite. Dependendo de sua saúde e rendimento em 2026, uma reestruturação ou até mesmo um desligamento antecipado pode entrar na mesa de discussão.
Pela primeira vez em muitos anos, os Seahawks não parecem caminhar para uma offseason marcada por perdas massivas de talento. O núcleo formado por Sam Darnold, Jaxon Smith-Njigba, Devon Witherspoon, Ernest Jones IV, Abraham Lucas e vários dos jovens escolhidos nos últimos Drafts permanece sob controle contratual da franquia.
As grandes manchetes provavelmente não estarão ligadas aos jogadores que chegarão à free agency.
Elas estarão ligadas aos veteranos que Seattle decidirá manter — e aos veteranos que a organização concluirá que já cumpriram seu papel.
E essa diferença costuma separar franquias que permanecem competitivas por anos daquelas que se apegam por tempo demais ao passado.
