O mandatory minicamp chegou ao fim na última semana e os Seahawks agora entram oficialmente na reta final da offseason antes do início do training camp. Mesmo sem jogos acontecendo, esse continua sendo um dos períodos mais importantes do calendário da NFL para entender como uma franquia está construindo seu elenco.
Para o torcedor que talvez esteja começando a acompanhar futebol americano agora, vale contextualizar rapidamente como funciona essa fase. Durante a offseason, as equipes podem carregar até 90 jogadores no roster. Depois, pouco antes do início da temporada regular, esse número cai drasticamente para apenas 53 atletas ativos.
Ou seja: praticamente metade dos jogadores atualmente no elenco dos Seahawks não estará no time quando setembro chegar.
É justamente por isso que essa época importa tanto. O roster de offseason funciona como um grande laboratório competitivo. Algumas posições já parecem relativamente resolvidas, enquanto outras terão batalhas extremamente agressivas durante training camp e pré-temporada.
E olhando para a composição atual do elenco, fica muito claro o tipo de identidade que Mike Macdonald continua tentando construir: um time físico, profundo defensivamente e extremamente versátil.
Ataque (44)
Quarterbacks (3)
- Sam Darnold
- Drew Lock
- Jalen Milroe
Depois da temporada passada, a situação de quarterback parece muito mais estabilizada do que em outros anos recentes dos Seahawks.
Sam Darnold já chega consolidado como titular da equipe após assumir o comando do ataque em 2025. A grande questão agora não é mais se ele consegue liderar o sistema ofensivo, mas sim até onde Seattle consegue ir ofensivamente com continuidade e estabilidade ao seu redor.
Drew Lock continua funcionando como reserva experiente e alguém extremamente familiarizado com a estrutura da franquia.
Já Jalen Milroe entra em um momento muito interessante da carreira. Diferente do ano passado, agora ele já chega para o training camp com um ano inteiro de adaptação ao ambiente da NFL, ao playbook e à velocidade do jogo profissional.
E isso importa muito para quarterbacks jovens.
Vale explicar algo importante: a transição entre futebol universitário e NFL é brutal para quarterbacks. O jogo é muito mais rápido, as leituras defensivas são muito mais complexas e a margem de erro praticamente desaparece. Milroe continua sendo um dos jogadores mais explosivos fisicamente do elenco inteiro, mas agora Seattle parece focado em acelerar seu desenvolvimento mental e técnico dentro do sistema.
Running Backs (6)
- Zach Charbonnet
- George Holani
- Kenny McIntosh
- Jadarian Price (rookie draftado)
- Emanuel Wilson (contratação na free agency)
- Jacardia Wright
O backfield dos Seahawks continua refletindo exatamente o tipo de identidade física que a franquia quer manter ofensivamente.
Zach Charbonnet entra na temporada como principal nome do grupo, especialmente pela capacidade de correr com força entre os tackles e absorver volume de carregadas, mas o problema é quando. Ele teve uma lesão grave, mas mostrou boa recuperação, inclusive, participando do minicamp, algo que não era esperado. George Holani segue tentando consolidar espaço maior na rotação ofensiva, enquanto Kenny McIntosh e Jacardia Wright brigam basicamente pelas últimas vagas do elenco.
Já Jadarian Price talvez seja um dos nomes mais interessantes para acompanhar durante agosto. O rookie draftado chega trazendo explosão e aceleração muito interessantes para um ataque que ainda quer manter o jogo terrestre como parte central da identidade ofensiva.
Emanuel Wilson adiciona experiência de NFL ao fundo do grupo depois de chegar via free agency. Ele ficou como RB3 nos treinos, vamos observar isso, ele é uma excelente peça para redzone, mas talvez apenas isso não seja o suficiente para mantê-lo no grupo.
Fullbacks (2)
- Robbie Ouzts
- Brady Russell
A simples presença de dois fullbacks no elenco já diz bastante sobre a filosofia ofensiva atual dos Seahawks. Hoje muitas equipes praticamente abandonaram o uso tradicional de fullbacks. Seattle claramente não parece interessado em seguir completamente essa tendência.
Fullbacks funcionam basicamente como bloqueadores especializados no backfield. Embora ocasionalmente carreguem a bola ou recebam passes curtos, sua principal função é abrir espaço para o jogo terrestre e adicionar fisicalidade ao ataque.
Robbie Ouzts continua sendo um nome particularmente interessante justamente pela versatilidade depois de um ano jogando pela primeira vez na função. Ele consegue alinhar como fullback tradicional, tight end extra e até próximo da linha ofensiva em algumas formações pesadas.
Russell agrega pouco valor aqui ofensivamente. Apesar de jogar como FB e TE, nunca produziu o esperado/suficiente, mas essa versatilidade e importância nos times especiais, deve fazer ele se manter no grupo.
Wide Receivers (12)
- Jake Bobo
- Irv Charles (adquirido via troca na offseason)
- Montorie Foster
- Emmanuel Henderson Jr (rookie draftado)
- Tory Horton
- Velus Jones Jr
- Cooper Kupp
- Rashad Rochelle
- Rashid Shaheed
- Jaxon Smith-Njigba
- Cody White
- Ricky White III
Talvez nenhuma posição tenha disputa tão aberta no fundo do elenco quanto wide receiver.
O topo da rotação parece relativamente consolidado. Jaxon Smith-Njigba segue como principal referência do grupo, Cooper Kupp continua oferecendo experiência e inteligência tática absurda, enquanto Rashid Shaheed adiciona velocidade vertical extremamente perigosa.
Jake Bobo permanece como um dos favoritos da torcida pelo estilo físico e confiável, enquanto Tory Horton já mostrou potencial, apesar de nunca conseguir ficar saudável.
Na NFL, os recebedores do fundo do roster raramente sobrevivem apenas recebendo passes. Eles precisam contribuir fortemente em special teams, cobertura de punts, bloqueios e múltiplas funções complementares.
É justamente aí que training camp costuma mudar completamente o cenário.
Emmanuel Henderson Jr tem um grande upside, mas vai precisar mostrar que é útil (ou mais útil) que Cody White e Irvin Charles, no mínimo.
Tight Ends (6)
- Elijah Arroyo
- AJ Barner
- Harrison Bryant (contratação na free agency)
- Nick Kallerup
- Lance Mason (calouro não draftado)
- Eric Saubert
AJ Barner continua ganhando espaço internamente pela capacidade física como bloqueador, enquanto Elijah Arroyo segue sendo um dos projetos atléticos mais interessantes da posição. Harrison Bryant adiciona experiência importante ao grupo depois de chegar via free agency.
O simples volume de tight ends no elenco mostra algo importante sobre o ataque dos Seahawks: Seattle quer continuar jogando de maneira física e utilizando formações pesadas. Kallerup, Saubert, Bryant e Mason devem lutar pela última ou duas últimas vagas dependendo de como se monte o roster. Os três primeiros são mais bloqueadores, enquanto Mason tem mais a agregar como recebedor, no entanto, sem o trabalho minimamente decente no jogo corrido, ele não deve ficar entre os 53.
Linha Ofensiva (15)
- Anthony Bradford
- Logan Brown
- Bryce Cabeldue
- Charles Cross
- Bobby Hart (contratação na free agency)
- Christian Haynes
- Josh Jones
- Amari Kight
- Abraham Lucas
- Federico Maranges (vaga extra via International Player Pathway Program)
- Olu Oluwatimi
- Mason Richman
- Beau Stephens (rookie draftado)
- Jalen Sundell
- Grey Zabel
O time tem grandes nomes como Abe Lucas, Charles Cross e Grey Zabel, são indiscutíveis. Depois daí, é tudo incerteza. Bradford, odiado por 11 entre 10 torcedores vai para seu último ano. O time draftou Beau Stephens para melhorar a profundidade como Guard, já que Christian Haynes não tem condições de ser um jogar na NFL.
Depois vamos para a função de center, onde Sundell conseguiu ser sólido na reta final. Isso deixa Olu Olu como uma opção para trocas, dependendo de como outros se desenvolvam, tal qual Richman e Cabeldue que tiveram alguns snaps nessa função.
Defesa (45)
Linha Defensiva (10)
- Deven Eastern (rookie draftado)
- Rylie Mills
- Mike Morris
- Byron Murphy II
- Brandon Pili
- Jarran Reed
- Uso Seumalo (calouro não draftado)
- J.R. Singleton
- Bubba Thomas
- Leonard Williams
Aqui talvez esteja o verdadeiro coração da identidade defensiva de Mike Macdonald.
Seattle continua montando uma linha defensiva profunda e extremamente física porque o sistema depende muito de rotação constante. Diferente de defesas que vivem apenas de estrelas individuais, Macdonald quer pressão coletiva durante quatro quarters inteiros.
Leonard Williams continua sendo uma peça dominante da unidade, enquanto Byron Murphy II segue tratado internamente como potencial estrela defensiva de longo prazo.
O mais interessante talvez seja justamente a quantidade de jogadores híbridos e de rotação disponíveis no grupo.
Outside Linebackers (10)
- Dante Fowler Jr (contratação na free agency)
- Jalan Gaines
- Derick Hall
- Aidan Hubbard (calouro não draftado)
- Jared Ivey
- Marvin Jones Jr (calouro não draftado)
- DeMarcus Lawrence
- Uchenna Nwosu
- Connor O’Toole
- Jamie Sheriff
Esse grupo resume perfeitamente o tipo de defensor que Seattle procura atualmente.
No sistema dos Seahawks, outside linebackers funcionam muitas vezes como edge rushers modernos. Eles precisam pressionar quarterbacks constantemente enquanto ainda defendem corrida e ocasionalmente recuam em cobertura.
É uma posição extremamente exigente fisicamente.
Derick Hall continua sendo uma aposta importante de explosão atlética, enquanto DeMarcus Lawrence e Dante Fowler Jr adicionam experiência veterana à rotação.
Já Jared Ivey e Marvin Jones Jr aparecem como projetos físicos extremamente intrigantes para desenvolvimento.
Inside Linebackers (7)
- Ernest Jones IV
- Tyrice Knight
- Patrick O’Connell
- Chris Paul Jr
- Chazz Surratt
- Drake Thomas
- Ja’Markis Weston
A NFL moderna praticamente obrigou linebackers internos a se tornarem mais rápidos e móveis.
Hoje esses jogadores precisam sobreviver em campo aberto contra ataques extremamente velozes, acompanhando tight ends, motions ofensivos e running backs recebendo passes.
Por isso Seattle continua claramente priorizando linebackers versáteis e atléticos.
Ernest Jones IV segue como líder natural da unidade, enquanto Tyrice Knight continua sendo um dos nomes mais interessantes para desenvolvimento dentro do sistema.
Cornerbacks (9)
- Tyrone Broden
- Michael Dansby (rookie draftado)
- Andre Fuller (rookie draftado)
- Noah Igbinoghene (contratação na free agency)
- Shemar Jean-Charles
- Josh Jobe
- Julian Neal (rookie draftado)
- Nehemiah Pritchett
- Devon Witherspoon
Esse talvez seja um dos grupos mais intrigantes do elenco inteiro.
Devon Witherspoon já se consolidou como peça central da defesa, enquanto Seattle continua apostando pesado em cornerbacks físicos, longos e versáteis — algo que virou praticamente assinatura da franquia desde os tempos da Legion of Boom.
Andre Fuller aparece como um dos nomes mais interessantes da unidade, principalmente pela combinação de agressividade física e potencial atlético.
Safeties (8)
- D’Anthony Bell (contratação na free agency)
- Bud Clark (rookie draftado)
- Nick Emmanwori
- AJ Finley
- Maxen Hook
- Julian Love
- Ty Okada
- Rodney Thomas II (contratação na free agency)
O grupo de safeties talvez seja um dos mais versáteis do elenco inteiro.
Julian Love continua oferecendo estabilidade e liderança, enquanto Nick Emmanwori segue sendo uma das apostas físicas mais fascinantes do roster inteiro.
Seu tamanho, alcance e explosão atlética dão enorme flexibilidade para Mike Macdonald variar alinhamentos defensivos.
Special Teams (3)
- Punter: Michael Dickson
- Kicker: Jason Myers
- Long snapper: Chris Stoll
Seattle continua extremamente sólido em special teams.
Michael Dickson segue como um dos melhores punters da NFL, Jason Myers continua extremamente confiável como kicker e Chris Stoll oferece estabilidade na posição de long snapper.
Pode parecer detalhe pequeno para quem acompanha NFL casualmente, mas special teams frequentemente decide partidas apertadas na liga.
E os Seahawks continuam tratando essa área com enorme seriedade.
