A chegada de Brian Fleury como novo coordenador ofensivo dos Seattle Seahawks representa uma das maiores incógnitas da franquia para 2026.
Por um lado, é difícil imaginar que o ataque mantenha exatamente o mesmo nível alcançado sob Klint Kubiak. Em apenas uma temporada, Kubiak ajudou a estabelecer uma identidade ofensiva clara, baseada em jogo terrestre, play-action, movimentação pré-snap e conceitos que facilitavam a vida do quarterback. Reproduzir esse impacto imediatamente seria uma tarefa difícil para qualquer treinador, especialmente para alguém que nunca chamou jogadas em nível profissional.
Por outro lado, Fleury também não chega cercado pelas mesmas dúvidas que acompanhavam Ryan Grubb. Quando Grubb assumiu o cargo, sua falta de experiência na NFL era vista como uma aposta arriscada, e o resultado acabou sendo um ataque que frequentemente parecia desconectado das características do elenco. A transição do futebol universitário para a NFL se mostrou mais complicada do que muitos imaginavam.
Fleury ocupa um espaço intermediário entre esses dois extremos. Ele não possui a experiência de Kubiak como coordenador ofensivo, mas passou anos trabalhando dentro de sistemas semelhantes aos que Seattle pretende manter. Seu histórico no desenvolvimento de tight ends e sua convivência com ataques fundamentados no jogo terrestre oferecem motivos para otimismo.
Ao mesmo tempo, ainda não existe qualquer garantia de que ele será capaz de transformar esse conhecimento em produção consistente durante uma temporada inteira.
No fim das contas, Brian Fleury continua sendo uma grande incógnita.
Mas toda mudança de coordenador cria oportunidades. E existem alguns jogadores no elenco dos Seahawks que parecem especialmente bem posicionados para se beneficiar dessa nova fase do ataque.
Elijah Arroyo pode ser o maior vencedor da mudança
Se existe um jogador que parece ter sido feito sob medida para o histórico de Brian Fleury, esse jogador é Elijah Arroyo.
Durante anos, Fleury trabalhou diretamente com tight ends. Foi nessa posição que construiu sua reputação dentro da NFL. Ao longo da carreira, participou do desenvolvimento de jogadores com características bastante diferentes, desde bloqueadores tradicionais até recebedores alinhados por todo o campo.
Arroyo oferece possibilidades que nenhum outro tight end do elenco possui.
Sua combinação de velocidade, aceleração e capacidade de criar separação faz dele uma peça extremamente difícil de marcar para linebackers e safeties. Em Miami, foi utilizado em diversas funções, alinhando no slot, em movimento antes do snap e até aberto como recebedor.
Mais importante do que os números imediatos é o encaixe entre jogador e treinador.
Fleury passou anos estudando maneiras de explorar mismatches através da posição de tight end. Arroyo talvez seja o atleta mais explosivo que ele terá à disposição desde que chegou a Seattle.
Não seria surpresa se o novato terminasse a temporada como uma das armas mais perigosas do ataque.
AJ Barner pode expandir seu jogo
Após uma excelente temporada em 2025, Barner se consolidou como uma das peças mais importantes da ofensiva dos Seahawks. Seu desenvolvimento como bloqueador ultrapassou as expectativas iniciais, enquanto sua evolução como recebedor transformou o que antes parecia ser um tight end complementar em uma arma legítima dentro do ataque.
O próximo passo agora é diferente.
Não se trata mais de crescimento. Trata-se de maximização e consolidação.
Poucos treinadores da NFL chegam ao cargo de coordenador ofensivo com uma bagagem tão ligada ao desenvolvimento de tight ends quanto Brian Fleury. Durante anos, ele trabalhou diretamente com a posição, estudando maneiras de explorar diferentes tipos de atletas e criar vantagens através de alinhamentos, movimentações e combinações de rotas.
Isso pode ser especialmente valioso para Barner.
Embora sua produção já tenha sido extremamente positiva em 2025, ainda existe espaço para expandir sua participação dentro do ataque. Sua combinação de tamanho, inteligência e confiabilidade permite que permaneça em campo em praticamente qualquer situação. Ele pode bloquear no jogo terrestre, proteger o quarterback em play-action ou atacar zonas intermediárias como alvo de segurança.
Em muitos ataques da árvore Shanahan, os tight ends funcionam como peças centrais da estrutura ofensiva, não apenas como complementos. Eles ajudam a vender o jogo corrido, criam conflitos para linebackers e frequentemente se tornam alguns dos alvos mais eficientes da equipe.
Se Fleury mantiver essa filosofia, Barner pode encontrar ainda mais oportunidades do que teve na temporada passada.
E considerando o salto que já deu entre seus primeiros anos na liga, não seria surpreendente vê-lo entrar definitivamente na conversa entre os melhores tight ends da NFC ao final de 2026.
Jadarian Price pode assumir o protagonismo do jogo terrestre
Os Seahawks investiram pesado ao selecioná-lo na primeira rodada do Draft de 2026. E embora o talento físico seja evidente, a melhor versão de Price provavelmente aparecerá dentro de um sistema que consiga criar vantagens antes mesmo do running back tocar na bola.
É exatamente esse tipo de ambiente que Fleury tentará construir.
Os ataques oriundos da árvore Shanahan costumam utilizar movimento pré-snap, formações condensadas e conceitos de play-action para manipular defensores e criar espaços para o jogo terrestre. Quando tudo funciona corretamente, o running back frequentemente encontra pistas mais limpas e toma decisões mais rápidas.
Price possui aceleração, explosão lateral e capacidade de transformar pequenos espaços em grandes ganhos.
Se Fleury conseguir preservar a eficiência estrutural do esquema que Seattle utilizou nos últimos anos, o calouro pode rapidamente se tornar uma das peças centrais da ofensiva.
Não apenas porque é talentoso.
Mas porque suas características parecem encaixar naturalmente na filosofia que os Seahawks desejam manter.
Rashid Shaheed pode dar o maior salto estatístico
Enquanto Arroyo representa o encaixe mais interessante e Price talvez seja o principal beneficiado do jogo terrestre, Rashid Shaheed pode ser o jogador com maior potencial para explodir em números.
Existe uma diferença enorme entre aprender um sistema e realmente dominá-lo.
Quando Shaheed chegou a Seattle, precisou absorver novos conceitos, novas responsabilidades e novas leituras dentro de uma ofensiva bastante diferente da que conhecia anteriormente.
Agora ele terá algo que muitos jogadores subestimam: uma offseason completa dentro da mesma estrutura ofensiva.
Mesmo com a mudança de coordenador, tudo indica que Seattle continuará utilizando muitos dos princípios que fizeram parte da identidade construída por Kubiak, especialmente o uso de play-action, movimentação antes do snap e ataques verticais gerados a partir da ameaça do jogo terrestre.
Esse cenário parece ideal para Shaheed.
Sua velocidade sempre foi uma arma especial. O problema para as defesas surge quando essa velocidade é combinada com play-actions eficientes que forçam safeties a hesitarem por uma fração de segundo.
Em ataques desse tipo, recebedores capazes de vencer profundamente frequentemente produzem algumas das maiores jogadas da temporada.
Shaheed já mostrou durante a carreira que não precisa de muitos toques para mudar uma partida.
Com mais familiaridade no sistema e uma offseason inteira para aperfeiçoar detalhes técnicos dentro da estrutura ofensiva, existe um caminho bastante realista para sua melhor temporada como profissional.
Veredito
Quando uma equipe troca de coordenador ofensivo, a tendência é procurar imediatamente um grande vencedor. Um quarterback que exploda, um recebedor que bata recordes ou um running back que assuma o protagonismo do ataque.
Mas a situação dos Seahawks em 2026 parece um pouco diferente.
Brian Fleury não está chegando para reinventar completamente a identidade ofensiva da equipe. A expectativa é que ele preserve muitos dos princípios que funcionaram sob Klint Kubiak, ao mesmo tempo em que adiciona sua própria visão após anos trabalhando com tight ends e dentro de sistemas fundamentados no jogo terrestre e no play-action.
Isso torna difícil apontar apenas um beneficiado.
O verdadeiro teste para Fleury não será transformar apenas um desses jogadores em destaque. Será fazer com que todos cresçam juntos.
Os melhores coordenadores ofensivos da NFL não são lembrados apenas pelos números de uma estrela. Eles são lembrados por construir sistemas capazes de maximizar o talento coletivo do elenco. Se Fleury conseguir fazer isso, os Seahawks não precisarão encontrar um único vencedor dessa mudança.
O ataque inteiro será.
