A história dos Seahawks tem uma curiosidade que ficou ainda mais interessante depois da vitória sobre o New England Patriots.
Sempre que Seattle iniciou uma nova era sob um proprietário diferente, o primeiro jogo acabou, na maioria das vezes, trazendo um resultado negativo — até agora.
A família Khosla quebrou essa sequência.
Na primeira partida da história dos Seahawks sob a nova propriedade, Seattle saiu perdendo por 10 a 0, perdeu Sam Darnold por lesão e parecia caminhar para uma estreia bastante complicada. Mas a defesa virou o jogo no quarto período, Drew Lock assumiu o ataque e os Seahawks venceram os Patriots por 13 a 10.
Foi uma estreia bastante apropriada para uma franquia que raramente faz as coisas de maneira simples.
1976: os Seahawks começam perdendo
Para encontrar a primeira mudança de proprietário, precisamos voltar até o nascimento da própria franquia.
Os Seahawks entraram na NFL em 1976 sob a liderança da família Nordstrom, que comandava o grupo responsável pela equipe durante seus primeiros anos. O primeiro jogo da história de Seattle aconteceu em 12 de setembro de 1976, no Kingdome, contra o St. Louis Cardinals.
E terminou em derrota.
Os Cardinals venceram por 30 a 24, apesar de Seattle ter chegado a diminuir uma desvantagem de 20 pontos durante a partida. Foi o início de uma franquia que ainda precisaria esperar anos para se tornar competitiva.
1988: Behring começa com vitória
Doze anos depois, os Seahawks passaram por sua primeira troca de proprietário.
Ken Behring comprou o controle da franquia da família Nordstrom em 1988. E, curiosamente, sua primeira partida como proprietário foi muito mais agradável do que a estreia dos Nordstrom.
Seattle foi até Denver para enfrentar os Broncos na abertura daquela temporada e voltou para casa com uma vitória por 21 a 14.
A temporada de 1988 acabaria sendo uma das melhores da história da franquia até então. Os Seahawks terminaram com campanha de 9-7 e conquistaram o título da AFC West.
O começo da era Behring, portanto, parecia promissor.
O que aconteceu nos anos seguintes é outra história.
1997: Paul Allen encontra uma franquia em crise
Quando Paul Allen comprou os Seahawks em 1997, a situação era completamente diferente.
Ken Behring havia tentado levar a franquia para a Califórnia e chegou a anunciar planos para transferir as operações para Anaheim. O movimento fracassou e, depois de uma série de problemas, Behring acabou vendendo a equipe para Allen.
O novo proprietário chegou justamente com a missão de garantir que os Seahawks permanecessem em Seattle e ajudar a construir uma nova casa para a franquia.
Mas seu primeiro jogo não poderia ter sido muito pior.
Em 31 de agosto de 1997, os Seahawks receberam o New York Jets no Kingdome e foram atropelados por 41 a 3. Os Jets abriram 17 a 0 no primeiro quarto e nunca olharam para trás.
Aquela derrota, obviamente, não definiu a era Paul Allen.
Muito pelo contrário.
Allen permaneceu como proprietário até sua morte em 2018, e seu período à frente da franquia incluiu três títulos da NFC e o primeiro Super Bowl da história dos Seahawks, conquistado na temporada de 2013.
Após sua morte, o Paul G. Allen Trust, administrado por Jody Allen, continuou controlando a franquia até a venda deste ano.
2018: Jody Allen assume após a morte do irmão
A história da família Allen, porém, não terminou com a morte de Paul.
Quando o proprietário morreu em outubro de 2018, aos 65 anos, a propriedade dos Seahawks passou para o Paul G. Allen Trust, administrado por sua irmã, Jody Allen. Ela se tornou a presidente do trust e, na prática, a principal figura de controle da franquia.
Isso cria uma diferença importante na comparação com as outras mudanças de propriedade. Jody não comprou os Seahawks e não iniciou uma nova era como proprietária da mesma maneira que Behring ou Paul Allen. Ela assumiu a responsabilidade pela franquia como parte do espólio do irmão e permaneceu no comando até a venda para a família Khosla em 2026.
Seu primeiro jogo após assumir o controle aconteceu em uma temporada que já estava em andamento. Paul morreu em 15 de outubro de 2018, depois da vitória de Seattle por 27 a 3 sobre Oakland, em Londres, no dia anterior. O jogo seguinte dos Seahawks foi contra o Detroit Lions, em 28 de outubro, no CenturyLink Field.
Seattle venceu por 28 a 14.
Assim, se quisermos ampliar a curiosidade para todas as transições de controle da franquia, existe mais uma estreia vencedora na história: Jody Allen também começou sua gestão com uma vitória.
E há uma diferença simbólica importante. Jody não apenas supervisionou os anos finais da propriedade da família Allen — ela esteve no comando durante o período em que Seattle voltou ao topo da NFL. Em fevereiro de 2026, os Seahawks conquistaram o Super Bowl LX sobre o New England Patriots, com Jody levantando o Lombardi Trophy ao lado da organização.
Poucos meses depois, porém, a história da família Allen em Seattle chegaria ao fim. Em fevereiro de 2026, o espólio anunciou o início do processo de venda da franquia, seguindo a determinação de Paul Allen de que seus ativos esportivos fossem eventualmente vendidos e os recursos destinados à filantropia.
Foi assim que, quase três décadas depois de Paul comprar a equipe de Ken Behring, os Seahawks finalmente passaram para uma nova família.
2026: uma estreia vencedora
É aqui que entra a família Khosla.
A venda dos Seahawks foi aprovada por unanimidade pelos proprietários da NFL em 26 de agosto e oficialmente concluída em 3 de setembro. Vinod Khosla assumiu como chairman, Neeru Khosla tornou-se a proprietária controladora e presidente da fundação da equipe, enquanto Neal Khosla assumiu como vice-chair.
Uma semana depois, eles estavam no Lumen Field para assistir à primeira partida da nova era.
E que estreia.
Seattle perdia por 10 a 0 e havia acabado de perder seu quarterback titular. Darnold deixou a partida com uma lesão no quadril, colocando Drew Lock em campo. O ataque continuou tendo dificuldades durante boa parte da partida, mas a defesa encontrou outra marcha no quarto período.
Drake Maye foi interceptado três vezes no último período.
Jaxon Smith-Njigba empatou a partida com um touchdown de 45 jardas.
Jason Myers colocou Seattle na frente com um field goal.
E Josh Jobe encerrou a partida com uma interceptação dentro da end zone, garantindo a vitória por 13 a 10.
Para Vinod Khosla, foi uma maneira bastante estressante de começar a vida como proprietário de uma franquia da NFL.
Mas também foi histórica.
O primeiro 1-0 de um novo proprietário
O retrospecto fica assim:
- 1976 — Família Nordstrom: derrota por 30-24 para o St. Louis Cardinals
- 1988 — Ken Behring: vitória por 21-14 sobre o Denver Broncos
- 1997 — Paul Allen: derrota por 41-3 para o New York Jets
- 2026 — Família Khosla: vitória por 13-10 sobre o New England Patriots
Portanto, a afirmação precisa de uma pequena correção se for apresentada como “todo novo proprietário começou perdendo”.
Não começou. Behring também venceu sua estreia.
Mas existe uma estatística ainda mais interessante: Khosla é o primeiro proprietário dos Seahawks a começar sua era com uma vitória desde que a franquia se tornou uma equipe da NFL.
E fez isso justamente contra o mesmo adversário que Seattle havia derrotado no Super Bowl sete meses antes.
Um bom começo não garante nada
É claro que a estatística é muito mais curiosidade histórica do que indicador de futuro.
A vitória contra New England não garante que a era Khosla será bem-sucedida. A própria história dos Seahawks mostra isso.
Behring começou vencendo e sua passagem acabou marcada por uma das fases mais turbulentas da história da franquia. Allen começou perdendo por 38 pontos e terminou como o proprietário responsável por transformar Seattle em campeão do Super Bowl.
É justamente isso que torna a coincidência interessante.
O primeiro jogo diz muito pouco sobre o que virá depois.
Mas, para uma família que acabou de pagar US$ 9,612 bilhões para comprar os Seahawks e herdou uma equipe que acaba de conquistar o segundo Super Bowl de sua história, começar com uma vitória certamente é melhor do que a alternativa.
E, considerando que os Khoslas já chegaram falando em preservar a cultura construída por Paul Allen e manter a estrutura atual da franquia, talvez a melhor notícia seja que eles não precisam reconstruir nada.
Eles só precisam descobrir como manter o que já está funcionando.
Por enquanto, a era Khosla está 1-0.
E isso já é melhor do que o início das eras Nordstrom e Allen.
