Quinta-feira, 15 de outubro de 2026, semana 6 da National Football League. O glorioso Seattle Seahawks voltará aos grandes palcos para tentar se recuperar de mais uma derrota na temporada. Depois de um jogo repleto de erros e um final torturante contra nosso maior rival, mal teremos tempo para digerir o resultado.
Agora é hora de enxugar as lágrimas, arrumar as malas e viajar para as montanhas. Nesta quinta-feira, no tradicional Thursday Night Football, enfrentaremos o Denver Broncos, um dos nossos grandes rivais históricos na conferência.
No retrospecto geral, estamos atrás da franquia do Colorado: são 35 vitórias dos Broncos contra 23 do Seattle. Ao longo da história, as equipes também se encontraram duas vezes nos playoffs. A primeira foi no Wild Card da AFC de 1983, quando vencemos por 31 a 7, com uma grande atuação do quarterback Dave Krieg. A segunda foi no Super Bowl XLVIII, uma das noites mais memoráveis da história dos Seahawks, quando conquistamos o título com uma vitória por 43 a 8.
O primeiro confronto entre as equipes aconteceu em 1977, no segundo ano do Seattle na liga, e terminou com uma vitória dos Broncos por 24 a 13. Já o encontro mais recente foi no Lumen Field, na abertura da temporada regular de 2024, que também marcou a estreia de Mike Macdonald como treinador principal dos Seahawks. Naquela ocasião, vencemos por 26 a 20, depois de uma boa atuação no segundo tempo.
A partida desta quinta-feira será disputada no Empower Field at Mile High e terá transmissão do SporTV e da GE TV, no YouTube, a partir das 21h20, no horário de Brasília. Mas narração de verdade você acompanha na Rapinas TV, com o nosso trio, agora não mais invicto, formado por João Neves, Guilherme Góes e Cássio Galoti.
Sem perder mais um segundo, porque já está quase na hora do jogo, vamos à prévia!
O ataque dos Broncos até aqui
Na atual temporada da NFL, o Denver Broncos soma três vitórias e duas derrotas em cinco jogos. Os triunfos vieram contra Jacksonville Jaguars (20 a 13), Los Angeles Rams (30 a 26) e Los Angeles Chargers. Já as derrotas aconteceram diante do Kansas City Chiefs (31 a 10) e do San Francisco 49ers (24 a 14).
Na temporada passada, Denver conquistou 14 vitórias, garantiu a melhor campanha da Conferência Americana e chegou à final da AFC, ficando a um passo do Super Bowl. Sem seu quarterback titular, porém, a equipe acabou derrotada pelo New England Patriots.
Depois de uma campanha tão positiva, um dos principais movimentos da intertemporada foi a troca pelo wide receiver Jaylen Waddle. Até aqui, o recebedor soma 18 recepções em 31 alvos, totalizando 204 jardas e um touchdown. Um detalhe importante: 138 dessas 204 jardas vieram apenas na partida contra os Jaguars, o que mostra como sua produção tem sido concentrada em um único jogo.
Mesmo com a chegada de um jogador talentoso, os números ofensivos dos Broncos não impressionam. A equipe acumula apenas 1.345 jardas totais, a terceira pior marca da liga, à frente somente de Philadelphia Eagles e Tennessee Titans. Um dos principais problemas está no jogo terrestre. O grupo de running backs, formado por J.K. Dobbins, R.J. Harvey e Tyler Badie, registra apenas 3,6 jardas por tentativa. Para efeito de comparação, o jogo corrido dos Seahawks, que também tem sido bastante deficiente nesta temporada, apresenta uma média de 3,8 jardas por carregada.
Na partida contra os Chargers, o ataque dos Broncos marcou apenas 23 pontos e converteu somente uma de 12 terceiras descidas, mesmo com Sean Payton reassumindo as chamadas ofensivas. Esses números indicam que Seattle pode encontrar um confronto favorável, especialmente se conseguir limitar o jogo terrestre adversário e forçar Denver a depender de situações óbvias de passe.
A defesa dos Broncos
Na temporada passada, um dos principais fatores para o excelente desempenho do Denver Broncos foi, sem dúvida, sua defesa. Os grandes destaques em campo foram o edge rusher Nik Bonitto, que terminou o ano com 14 sacks, e o cornerback Patrick Surtain II, provavelmente o melhor jogador da liga em sua posição. O camisa 2, inclusive, já foi eleito o Jogador Defensivo do Ano da NFL. Fora das quatro linhas, a unidade é comandada pelo coordenador defensivo Vance Joseph, que tem sido uma peça importante na construção desse sistema.
Assim como o ataque, porém, a defesa começou 2026 em um ritmo mais lento. A unidade de Denver é a terceira que mais permite jogadas aos ataques adversários. Quanto mais tempo uma defesa permanece em campo, maior tende a ser o desgaste físico, especialmente na reta final das partidas.
Um dos principais pontos de atenção, assim como acontece no ataque, é a capacidade de conter o jogo terrestre. No confronto anterior contra o Los Angeles Chargers, que entrou em campo sem seus dois tackles ofensivos titulares, a defesa dos Broncos cedeu 155 jardas pelo chão, permitindo uma média de 7,1 jardas por carregada a Kimani Vidal.
Se a defesa foi mal contra a corrida, no pass rush ela voltou a lembrar a unidade dominante da temporada passada. Foram cinco sacks em apenas 24 tentativas de passe, transformando aproximadamente 20,8% das tentativas de Justin Herbert em capturas do quarterback.
Esse dado merece atenção especial diante de uma linha ofensiva de Seattle que teve uma atuação desastrosa contra o San Francisco 49ers. Vale lembrar que os Seahawks também cederam cinco sacks naquela partida, três deles com responsabilidade atribuída a Grey Zabel. Com esse cenário, conter jogadores como Nik Bonitto, Zach Allen e D.J. Jones precisa estar entre as prioridades da comissão técnica.
E já que estamos falando dos principais desafios da partida, vamos aos confrontos que podem decidir o resultado.
Chaves e duelos da partida
O jogo terrestre precisa aparecer
Do lado ofensivo, parece que toda semana volto aqui para escrever exatamente a mesma coisa: precisamos encontrar uma maneira de correr com a bola.
Enfrentaremos uma defesa que tem demonstrado dificuldades justamente nesse aspecto, e Emanuel Wilson pode — ou melhor, precisa — ter uma de suas melhores atuações da temporada. Não se trata apenas de conquistar jardas e touchdowns, mas também de aliviar a pressão sobre Sam Darnold. Se Seattle conseguir estabelecer o jogo terrestre, poderá manter a defesa adversária mais cautelosa, controlar o ritmo da partida e reduzir as situações em que nosso quarterback fica exposto à pressão e ao risco de cometer turnovers, problemas que têm custado caro nas últimas semanas.
Deixo aqui, inclusive, meu manifesto pessoal contra a presença do suposto jogador George Holani na partida desta quinta-feira.
Aproveitar os desfalques na secundária
No jogo aéreo, Seattle pode encontrar uma boa oportunidade. As lesões afetaram consideravelmente a secundária adversária. Na partida anterior, os dois cornerbacks titulares, Patrick Surtain II e Riley Moss, ficaram fora por problemas físicos. Para o confronto desta quinta-feira, o injury report já confirmou a ausência do camisa 2, enquanto Moss aparece como questionável.
Outra baixa importante é a do safety Talanoa Hufanga, que sofreu uma lesão no tornozelo na última partida.
Com tantos desfalques, a tendência é que Jaxon Smith-Njigba tenha mais uma atuação de destaque. Ainda assim, gostaria de ver Klint Fleury distribuindo melhor a bola entre os principais recebedores, incluindo os tight ends. Explorar as fragilidades da secundária não significa depender exclusivamente de JSN: Seattle precisa diversificar suas opções e aproveitar os espaços que surgirem ao longo do jogo.
Como substituir Drake Thomas?
Do lado defensivo, teremos a ausência de Drake Thomas. Naturalmente, Tyrice Knight deve assumir a posição de titular, mas será importante observar como a comissão técnica vai reorganizar a unidade e quais ajustes serão necessários para compensar essa baixa.
Também continuo bastante preocupado com Josh Jobe na cobertura, principalmente diante de Jaylen Waddle. Mesmo que o recebedor ainda não tenha apresentado uma produção consistente nesta temporada, o que vimos de Jobe contra Mike Evans na última partida aumenta a preocupação com esse confronto.
Por isso, será fundamental que Mike Macdonald prepare ajustes para evitar que Jobe fique exposto repetidamente em situações desfavoráveis de marcação individual. A defesa precisará variar suas coberturas e oferecer ajuda quando necessário, sem comprometer a estrutura contra as outras armas ofensivas de Denver.
Pressionar Bo Nix sem deixá-lo escapar
Outro ponto crítico está nas trincheiras. Precisamos manter pressão constante sobre Bo Nix, que foi sackado apenas seis vezes nesta temporada. Mas não basta chegar ao quarterback: será fundamental mantê-lo dentro do pocket, pois ele tem capacidade para correr com a bola e estender jogadas por muito mais tempo do que a defesa gostaria.
Precisaremos de mais uma boa atuação de Byron Murphy, especialmente para gerar pressão pelo interior da linha defensiva e dificultar a movimentação de Nix. Também seria muito bem-vindo ver Derick Hall aparecer com mais frequência, justificando o investimento feito em sua renovação contratual.
Se Seattle conseguir pressionar sem abrir corredores para a fuga do quarterback, terá mais chances de forçar passes apressados, limitar as jogadas explosivas e provocar erros.
Uma vitória de cada vez
Não há muito segredo daqui para a frente: precisamos conquistar uma vitória de cada vez. A temporada ainda tem muito pela frente, mas os erros recentes deixaram claro que Seattle precisa corrigir problemas importantes, especialmente no jogo terrestre, na proteção ao quarterback e na capacidade de transformar boas oportunidades em pontos.
Contra Denver, teremos uma chance de reagir diante de uma defesa perigosa, mas que também vem apresentando vulnerabilidades. Para sair com a vitória, será necessário executar melhor, proteger a bola e aproveitar os desfalques do adversário.
Esperamos que a partida contra os Broncos seja a primeira de muitas vitórias nessa retomada. Go Hawks!
Não muito segredo, daqui pra frente é uma vitória de cada vez, esperamos que contra o Broncos seja a primeira de muitas.
