A derrota para o Denver Broncos deixou mais uma pergunta no ar em Seattle: até quando Sam Darnold terá crédito para continuar como titular?
No The Mike Macdonald Show, programa da Seattle Sports apresentado por Brock Huard e Mike Salk, o treinador dos Seahawks respondeu à questão e abordou os principais problemas que impediram a equipe de sair de Denver com a vitória.
Depois do revés por 17 a 14 na prorrogação, Macdonald não demonstrou intenção de trocar de quarterback. Ao mesmo tempo, deixou claro que o time precisa encontrar respostas para uma sequência de erros que vem custando caro. Seattle está com campanha de 3-3 e perdeu duas partidas consecutivas.
Darnold continua no comando
Macdonald foi direto quando questionado sobre a possibilidade de mudar de quarterback: não. O treinador afirmou que a comissão técnica tem muita confiança em Darnold e acredita que ele faz parte da solução para os problemas ofensivos.
A declaração mantém o cenário esperado para a posição, mas não apaga o desempenho preocupante do camisa 14. Darnold lançou duas interceptações contra Denver e chegou a sete na temporada, incluindo seis nas três derrotas dos Seahawks.
O problema não é apenas a quantidade de passes interceptados, mas o momento em que eles acontecem. Contra os Broncos, Seattle teve a oportunidade de buscar a vitória no fim do tempo regulamentar, mas desperdiçou uma posse importante. Na prorrogação, uma nova interceptação entregou a Denver a oportunidade de preparar o field goal da vitória.
Darnold já reconheceu publicamente que precisa melhorar. A questão agora é transformar esse discurso em uma mudança de comportamento dentro de campo.
Macdonald também assumiu que existem ajustes que a própria equipe pode fazer para ajudar o quarterback. Isso inclui melhorar a comunicação, criar condições mais favoráveis para as leituras e evitar situações em que o ataque dependa de jogadas difíceis para continuar avançando.
Os turnovers estão custando vitórias
Os Seahawks somam 12 turnovers em seis partidas. É um número especialmente preocupante para uma equipe que conta com uma defesa capaz de manter os adversários sob controle.
A derrota para Denver foi o exemplo mais recente dessa contradição. Os Broncos terminaram o jogo com apenas 168 jardas totais de ataque, mas conseguiram vencer porque Seattle não aproveitou as oportunidades que teve.
Macdonald destacou a necessidade de cuidar melhor da bola, tanto no jogo aéreo quanto nas corridas. A preocupação não se limita às interceptações de Darnold: a segurança da bola precisa ser uma prioridade para todo o ataque.
Ao mesmo tempo, o treinador quer evitar que o medo de cometer erros transforme o quarterback em um jogador hesitante. O desafio é encontrar o equilíbrio entre agressividade e responsabilidade. Darnold precisa continuar tomando decisões com confiança, mas também reconhecer quando a melhor escolha é aceitar uma jogada curta ou simplesmente preservar a posse.
É uma diferença que pode definir a temporada. Seattle não precisa abandonar as jogadas explosivas, mas precisa parar de oferecer oportunidades gratuitas aos adversários.
A linha ofensiva e o jogo terrestre também preocupam
Outro tema da entrevista foi a proteção ao quarterback. Darnold sofreu cinco sacks contra Denver, e Macdonald ressaltou que a responsabilidade por esse tipo de situação não pode ser atribuída exclusivamente à linha ofensiva.
A proteção envolve o trabalho dos bloqueadores, a identificação das pressões defensivas, as decisões do quarterback e a própria chamada da jogada. Quando uma dessas partes falha, o ataque inteiro sofre as consequências.
O jogo terrestre também precisa evoluir. Seattle tem encontrado dificuldades para estabelecer uma produção consistente pelo chão, o que aumenta a dependência dos passes e torna o ataque mais previsível.
As ausências de Zach Charbonnet e Jadarian Price complicam esse cenário, e Macdonald comentou sobre a importância do retorno de jogadores para ampliar as opções da equipe. Ainda assim, o treinador precisa encontrar maneiras de produzir com as peças disponíveis.
Um jogo terrestre mais eficiente ajudaria a controlar o ritmo das partidas, reduzir a pressão sobre Darnold e criar situações mais favoráveis para os recebedores. Não resolveria todos os problemas, mas ofereceria ao ataque uma alternativa importante nos momentos em que o jogo aéreo não funciona.
Macdonald também está em processo de evolução
A entrevista não ficou restrita aos erros individuais. Macdonald também falou sobre seu desenvolvimento como responsável pelas chamadas defensivas? Não: o desafio abordado foi sua evolução como playcaller ofensivo, função que exige ajustar o plano de jogo de acordo com o comportamento da defesa adversária e as respostas encontradas durante a partida.
O treinador reconheceu que ainda existe espaço para crescimento na maneira como o ataque é conduzido. A equipe precisa alinhar melhor suas decisões e transformar a identidade que pretende ter em uma execução mais consistente.
Esse ponto merece atenção porque os problemas de Seattle não se resumem a Darnold. Mesmo quando o quarterback tem responsabilidade direta pelos turnovers, cabe à comissão técnica avaliar como o sistema pode reduzir situações de risco e aproveitar melhor os talentos disponíveis.
A derrota para Denver mostrou uma defesa que fez o suficiente para manter o time vivo, mas um ataque que passou boa parte da noite sem conseguir transformar suas oportunidades em pontos. A recuperação no quarto período demonstrou capacidade de reação; a interceptação na prorrogação mostrou que ainda falta consistência.
Macdonald precisa encontrar essa resposta sem depender apenas de uma melhora individual do quarterback.
O que muda para o próximo jogo?
Os Seahawks terão um período maior para se recuperar e preparar o confronto contra o Kansas City Chiefs, marcado para 25 de outubro. A pausa será importante para revisar os erros e avaliar a condição física dos jogadores que podem ajudar a melhorar o jogo terrestre e a proteção.
O principal objetivo, porém, é mais simples do que qualquer ajuste tático: Seattle precisa parar de desperdiçar posses de bola.
A defesa já mostrou que pode manter a equipe competitiva mesmo quando o ataque não funciona. Mas esse nível de desempenho não pode ser desperdiçado repetidamente por erros evitáveis. Contra Kansas City, os Seahawks precisarão proteger melhor Darnold, estabelecer o jogo terrestre e tomar decisões mais eficientes nos momentos decisivos.
Considerações finais
Macdonald escolheu manter a confiança em Sam Darnold, e a decisão faz sentido enquanto a comissão técnica acreditar que pode corrigir os problemas sem uma mudança na posição. Isso não significa, entretanto, que o quarterback tenha crédito ilimitado.
Darnold precisa melhorar, mas o ataque inteiro também precisa assumir sua parcela de responsabilidade. A proteção, o jogo terrestre e as chamadas ofensivas têm de contribuir para que o quarterback não precise resolver tudo sozinho.
Com campanha de 3-3, os Seahawks ainda têm tempo para reagir. O que não podem fazer é continuar repetindo os mesmos erros e esperar resultados diferentes. A confiança de Macdonald está mantida; agora, cabe ao time demonstrar em campo que ela tem fundamento.
