Quando DeMarcus Lawrence deixou o Dallas Cowboys e assinou com o Seattle Seahawks no ano passado, ele foi direto ao ponto: queria uma chance real de disputar e vencer um Super Bowl. Após anos sendo um dos pilares defensivos em Dallas, Lawrence declarou que buscava um ambiente onde pudesse competir pelo título máximo da NFL. A aposta acabou se concretizando rapidamente, com Seattle chegando ao Super Bowl LX e consolidando a ideia de que o veterano fez a escolha certa ao mudar de ares. Justamente por isso, agora surge uma questão legítima: depois de alcançar o objetivo que motivou sua saída de Dallas, será que Lawrence considera encerrar a carreira no topo?
📌 Carreira e produção
Lawrence construiu uma trajetória sólida ao longo de 11 temporadas na NFL antes de chegar a Seattle. Em Dallas, acumulou 61,5 sacks, mais de 450 tackles e 21 fumbles forçados, além de múltiplas seleções ao Pro Bowl. Nunca foi apenas um caçador de quarterbacks; seu jogo sempre combinou força contra o jogo terrestre, disciplina tática e capacidade de colapsar o pocket mesmo quando não finalizava a jogada com sack.
Em 2025 com os Seahawks, sua produção estatística ficou abaixo dos anos de auge, mas ainda relevante. Ele registrou 6 sacks, 53 tackles e 3 fumbles forçados, além de contribuir com pressões constantes que não aparecem totalmente no box score. Sua presença foi especialmente importante em situações de terceira descida e em jogos grandes, onde experiência e leitura pré-snap fazem diferença.
📊 Impacto na defesa de Seattle
O impacto de Lawrence vai além dos números. Seattle conseguiu manter consistência defensiva em parte pela rotação equilibrada na linha defensiva. D-Law trouxe algo que o elenco precisava: maturidade competitiva e entendimento situacional.
Contra o jogo terrestre, ele continua sendo um edge físico, capaz de “selar” o lado da linha e forçar o running back a cortar para dentro, onde o front seven pode finalizar a jogada. Contra o passe, mesmo quando não chega ao sack, ele comprime o pocket e obriga o quarterback a sair do ponto ideal de lançamento. Esse tipo de pressão indireta muitas vezes gera interceptações ou sacks para companheiros.
Além disso, sua influência sobre jogadores como Boye Mafe, Derick Hall e Uchenna Nwosu é um fator silencioso, mas relevante. Um defensor experiente acelera o desenvolvimento dos mais jovens, principalmente na técnica de mãos e no reconhecimento de formações ofensivas.
Caso se aposente, Seattle perderia não apenas snaps produtivos, mas também uma peça estratégica na rotação e uma liderança respeitada no vestiário.
💰 Impacto no salary cap
Financeiramente, a situação também merece atenção. O contrato de Lawrence foi estruturado com um cap hit moderado em 2025, girando na casa de 7,5 a 7,7 milhões de dólares. Para 2026, o valor sobe para algo próximo de 11 milhões, com parte do salário garantida. Em 2027, o número ultrapassaria 12 milhões.
Se ele decidir se aposentar antes da temporada 2026, Seattle ainda teria impacto de dead cap, estimado em aproximadamente 4,7 milhões de dólares. Parte desse valor cairia diretamente no cap de 2026. Ao mesmo tempo, a franquia economizaria o salário base não pago, abrindo espaço para movimentações na free agency ou extensões contratuais de jogadores mais jovens.
🏁 Conclusão
A grande ironia da situação é que Lawrence declarou ter deixado Dallas para buscar um Super Bowl — e conseguiu isso. Agora, a pergunta que se impõe é se existe motivação suficiente para continuar jogando após atingir o principal objetivo da carreira.
Para os Seahawks, a decisão envolve três fatores: produção em campo, liderança interna e gestão do cap. Se ele permanecer, Seattle mantém um veterano confiável na rotação defensiva. Se se aposentar, o time ganha flexibilidade financeira parcial, mas perde experiência e consistência na borda da linha defensiva.
Independentemente do desfecho, o impacto de DeMarcus Lawrence em Seattle já é significativo. Ele chegou buscando um título. Se sair agora, sairá como campeão — exatamente como planejou.
