Prévia Los Angeles Rams x Seattle Seahawks – Final da NFC: O jogo da década

Seahawks e Rams se enfrentam em mais um capítulo de uma rivalidade que, historicamente, ignora contexto e momento. Acho que já falei isso ao menos 3 vezes nessa temporada, e deu certo, então vamos manter a escrita e repito: “esse é o jogo mais importante da temporada”.

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Independentemente de campanha, mando de campo ou narrativa da semana, é um jogo que costuma ser decidido nos detalhes, especialmente nas trincheiras e nas situações de terceira descida. Para Seattle, o duelo exige um plano extremamente disciplinado dos dois lados da bola, porque os Rams são especialistas em punir defesas previsíveis e ataques unidimensionais. É um confronto que passa menos por “surpresa” e mais por execução consistente.

Histórico do confronto

Desde 1976, Seahawks e Rams constroem uma rivalidade marcada por altos e baixos, mas quase sempre equilibrada em campo. Após o realinhamento de 2002, os Rams se tornaram um dos adversários mais difíceis para Seattle, inclusive em temporadas em que os Seahawks eram considerados favoritos. Mesmo em anos recentes, quando os elencos mudaram bastante, o padrão se manteve: jogos físicos, com placares apertados e pouca margem para erro. A rivalidade dentro da NFC West transforma partidas comuns de temporada regular em jogos de intensidade quase playoff.

Os Seahawks foram eliminados em playoffs jogando em casa, apenas 3 vezes. Dessas 3, 2 foram contra os Rams. No Wild Card da temporada 2020, os Rams venceram no Lumen Field em um jogo que expôs as dificuldades ofensivas de Seattle contra a estrutura defensiva de Los Angeles que estava com o QB reserva e depois Jared Goff assumiu mesmo com a mão lesionada. A defesa dos Rams controlou o ritmo da partida, enquanto o ataque fez o suficiente para avançar. 

A importância de pressionar Matt Stafford

Defensivamente, tudo começa por tirar Matt Stafford da zona de conforto. Stafford é um quarterback que castiga defesas quando consegue trabalhar dentro do timing, especialmente explorando conceitos intermediários como digs, crossers e overs. Sob o comando de Mike Macdonald, os Seahawks ainda não conseguiram registrar um sack sequer em Stafford, o que chama atenção e evidencia uma dificuldade estrutural em transformar pressão em jogadas negativas.

Mais do que blitzar, Seattle precisa pressionar com disciplina. Stafford é extremamente experiente contra blitz e sabe identificar hot routes rapidamente. A chave passa por vencer no mano a mano com o front, usar stunts e twists internos para atacar a comunicação da linha ofensiva dos Rams e variar looks de pressão simulada. Forçar Stafford a sair do ponto inicial do pocket, mesmo sem sacks, já altera significativamente a eficiência do ataque de Los Angeles.

Como limitar Puka Nacua

Parar Puka Nacua exige um plano coletivo. Ele não é apenas um recebedor de volume, mas um jogador que cria separação em diferentes níveis do campo e gera muitas jardas após a recepção. Nacua alinha em reduced splits, no slot e até em motion, constantemente forçando a defesa a declarar cobertura.

Seattle precisa variar coberturas pós-snap, alternando quarters com princípios de match e momentos pontuais de bracket (dobrar em cima de um recebedor), principalmente em terceiras descidas e red zone. O trabalho físico dos corners no release é fundamental: atrasar o timing das rotas pode quebrar o ritmo entre Stafford e Nacua. Além disso, os linebackers precisam ser extremamente disciplinados nas zonas intermediárias, evitando que Nacua encontre espaço em crossers e sit routes contra zone coverage, algo que aconteceu com frequência no último duelo entre os times.

Plano de jogo ofensivo contra a defesa dos Rams

Ofensivamente, os Seahawks precisam aceitar o convite que a defesa dos Rams costuma oferecer com dois safeties no fundo do campo: correr com a bola. Los Angeles frequentemente apresenta shells de dois safeties antes do snap, priorizando limitar jogadas explosivas pelo ar e apostando que o front consegue segurar o jogo terrestre. Essa é justamente a área onde Seattle pode encontrar vantagem, desde que use os conceitos certos.

A lesão de Zach Charbonnet muda a abordagem. Charbonnet vinha sendo o corredor mais consistente em situações de inside run, short yardage e proteção de passe. Sem ele, o ataque passa a girar ainda mais em torno de Kenneth Walker, que é um corredor com características diferentes. Walker é mais eficiente quando consegue atacar a lateral, ler o bloqueio em movimento e explorar cortes em espaço. Ele é particularmente forte em outside zone, stretch plays e variações de wide zone, onde pode usar sua explosão para transformar pequenos espaços em ganhos maiores.

Contra a defesa dos Rams, isso faz sentido. Uma das fragilidades recorrentes dessa unidade é a disciplina de edges e a leitura de flow dos linebackers. Em wide zone bem executada, a defesa tende a “ser agressiva demais”, abrindo oportunidades para o cutback — exatamente o tipo de leitura em que Walker se destaca. Além disso, conceitos de split zone podem ajudar a neutralizar a agressividade do edge rusher, usando o tight end para selar o backside e criar um ponto claro de leitura para o running back.

Outra alternativa interessante é o uso de duo e inside zone a partir de formações shotgun, não necessariamente para dominar fisicamente entre os tackles, mas para manter a defesa honesta e evitar que os Rams joguem apenas em pursuit lateral. Mesmo sem Charbonnet, Seattle pode compensar com motion pré-snap, jet sweeps e orbit motion, forçando os linebackers a hesitar e criando ângulos melhores para Walker.

No jogo aéreo, a ausência de Charbonnet também pesa na proteção. Isso sugere um ataque mais baseado em quick game, RPOs e play-action em primeiro e segundo down, evitando terceiras descidas longas. Screen passes para Walker e passes rápidos para o perímetro podem funcionar como extensão do jogo corrido, ajudando a controlar o ritmo da partida e limitar o impacto do pass rush dos Rams.

Veredito

O duelo contra os Rams exige dos Seahawks um plano claro e bem executado. Defensivamente, a prioridade é finalmente incomodar Matt Stafford e limitar o impacto de Puka Nacua sem desmontar a estrutura da cobertura. Ofensivamente, a chave está em abraçar o jogo corrido, mesmo sem Charbonnet, usando Kenneth Walker da forma que ele rende melhor: em conceitos de outside zone, split zone e corridas em espaço. Se Seattle conseguir impor esse ritmo, controlar o relógio e evitar erros em situações óbvias de passe, terá boas chances de vencer mais um jogo tradicionalmente imprevisível dentro da NFC West.

Sean McVay e Mike Macdonald devem se enfrentar muitas vezes na NFC West. O HC dos Rams é uma das maiores mentes ofensivas da história, essa é a chance de Macdonald mostrar do que é capaz.

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