Tudo que você precisa saber sobre o combine
O NFL Scouting Combine, realizado anualmente no Lucas Oil Stadium, deixou de ser apenas uma bateria de testes físicos para se tornar uma etapa estratégica decisiva no processo pré-Draft. Criado oficialmente em 1982 para centralizar avaliações que antes eram feitas individualmente pelas franquias, o evento evoluiu para algo próximo de uma semana intensiva de entrevistas de emprego.
Durante quatro dias, os principais prospectos elegíveis ao Draft 2026 passam por medições oficiais (altura, peso, envergadura, mãos), testes atléticos padronizados (40-yard dash, salto vertical, salto em distância, 3-cone, shuttle), drills técnicos por posição, exames médicos detalhados e entrevistas formais com executivos e técnicos.
Ademais, é um momento em que os front offices estão todos reunidos no mesmo lugar e podem discutir trades e sondar valores de jogadores na free agency.
Estratégias para proteger (ou inflar) o stock
Atletas e agentes têm usado estratégias para não perder valor de draft:
1. Evitar certos testes ou drills:
Alguns QBs ou WRs com boa produção às vezes optam por não correr o 40 ou não fazer drill de campo para evitar números abaixo das expectativas. Jogadores como Marvin Harrison Jr. e Caleb Williams evitaram certos drills em anos anteriores por essa razão.
2. Evitar medições públicas:
Alguns jogadores preferem não divulgar mãos ou comprimento de braços se têm medidas consideradas “anti-prototípicas” para sua posição. As universidades tem a tendência de mascarar os números reais e muitas vezes isso só é descoberto no Combine.
3. Manipulação de peso:
Alguns atletas tentam ganhar ou perder peso para parecerem mais “NFL-prontos”, mas isso nem sempre funciona: peso excessivo pode diminuir explosão, e perda de peso pode reduzir força nos drills. Atletas que mudaram radicalmente de peso antes de Combines passados tiveram testes abaixo do esperado, prejudicando sua projeção, sendo um caso recente o Bralen Trice.
📈 Quem pode subir no Combine 2026 (com base nos convidados)
A seguir, prospectos do Combine 2026 que têm potencial real de melhorar seu draft stock com bons resultados nos testes e drills — e por quê:
Fernando Mendoza
Mendoza é visto como um QB grande e preciso, mas alguns questionam se sua mobilidade é limitada. Se ele impressionar no 3-cone, vertical e em drills de troca de pés, pode reforçar visão de ser um QB mais completo — não só pocket passer.
Barion Brown
Tem produção e velocidade natural. Se ele confirmar um 40-yard dash no intervalo dos 4.3s e bom salto vertical, pode passar a ser considerado um dos WRs mais explosivos da classe.
Ted Hurst
Embora menos conhecido, um teste atlético forte e ótima execução nos drills pode fazê-lo aparecer como pick de valor, mostrando separação e capacidade de rota refinada.
Olaivavega Ioane
Já projetado como grande OL interior, mas se surpreender em explosão e agilidade, pode reforçar versatilidade para múltiplas posições no front ofensivo.
📉 Quem pode cair no Combine 2026
Alguns prospectos convidados podem perder valor se seus números atléticos não coincidirem com o tape ou expectativas:
WRs que podem registrar números lentos
Makai Lemon
Ele tem talento, mas se registrar um 40 acima de 4.55, equipes podem questionar se seu tamanho e velocidade se traduzem em ameaça vertical real.
Jordyn Tyson
Similarmente, se os testes de explosão e mudança de direção não forem fortes, Tyson pode ser rotulado mais como WR de slot/intermediário do que opção vertical.
Reuben Bain Jr, EDGE
Existe uma dúvida sobre onde ele vai jogar. Ele tem peso para jogar por dentro, mas braços muito curtos. Não se sabe o quanto e isso vai sempre ser uma questão. Sua produção no college, principalmente no último ano é de um prospecto top-10, mas as medidas podem fazê-lo cair.
O fenômeno “Combine Warriors”
O que são?
“Combine Warriors” são jogadores que explodem nos testes físicos, sobem drasticamente nas projeções… mas não conseguem traduzir esse atletismo para produção consistente na NFL.
São atletas de elite — mas nem sempre jogadores de elite.
Exemplos clássicos de Combine Warriors
1. Mike Mamula
Mamula estudou os testes e treinou especificamente para eles. Seu salto vertical de 38” e números explosivos no broad jump elevaram seu draft stock drasticamente. O problema é que o desempenho atlético não se traduziu em produção consistente de pass rush.
2. Vernon Gholston
Gholston registrou 4.58 no 40-yard dash e 37 repetições no supino com quase 120 kg. A combinação de força e explosão o colocou no top 10 do Draft. Nunca registrou um sack na NFL, tornando-se um dos casos mais emblemáticos de supervalorização atlética.
3. John Ross
Recordista histórico com 4.22 no 40-yard dash. A velocidade pura o levou para o top 10, mas lesões e inconsistência limitaram sua carreira.
4. Darrius Heyward-Bey
Seu 4.30 no 40 o impulsionou para a primeira rodada muito acima do esperado. O refinamento técnico nunca acompanhou o atletismo.
5. Byron Jones
Recorde no salto em distância. Teve boa carreira, mas foi draftado muito mais pelo atletismo do que pelo tape.
6. Stephen Hill
Com 4.36 no 40 e excelente combinação de tamanho e explosão, Hill subiu rapidamente nas projeções. No nível profissional, dificuldade com rotas e drops comprometeram a carreira.
7. Christine Michael
Explosão nos saltos e 4.54 no 40 mostraram um RB extremamente atlético. Nunca virou titular consistente, escolha de Seattle em 2013.
8. Margus Hunt
Com 6’8” e 4.60 no 40, além de 38 reps no supino, parecia um protótipo físico raro. Produção nunca justificou o hype.
E o outro lado? Quem foi mal no Combine — e virou estrela?
🐐 Grandes jogadores que não brilharam em Indianápolis
Tom Brady
Brady registrou 5.28 no 40-yard dash e números ruins de explosão. Sua carreira provou que leitura, precisão e liderança superam métricas atléticas.
Antonio Brown
Combine discreto. Tornou-se um dos WRs mais dominantes da década de 2010.
Anquan Boldin
Com 4.71 no 40, foi considerado lento. Tornou-se um dos recebedores mais físicos e produtivos da liga.
Terrell Suggs
Combine abaixo do esperado para EDGE. Carreira de Hall da Fama.
Jarvis Landry
4.77 no 40 e testes explosivos fracos. Construiu carreira baseada em técnica, separação curta e confiabilidade.
Conclusão
O Combine é um evento onde produção de college, medidas atléticas, entrevistas e exames se misturam — e nem sempre o resultado mais “atlético” significa melhor jogador. Alguns podem subir drasticamente com números incríveis, enquanto outros podem cair quando medidas e drills derrubam expectativas.
