Uma das minhas épocas preferidas do ano é escrever os Draft Reports para os Seahawks. Já acertei alguns como: Nick Emmanwori, Jalen Milroe, Bryce Cabeldue, Ricky White III, Byron Murphy II, Christian Haynes, Tyrice Knight, Devon Witherspoon, Zach Charbonnet, Olu Oluwatimi, Kenny McIntosh, Boye Mafe, Abe Lucas, Riq Woolen, para listar os últimos quatro anos.
Ainda estamos no ano 3 de Mike Macdonald, então, ainda é cedo para definir as tendências, assim como era na época de Pete Carroll. Obviamente, John Schneider ainda está no comando e deve seguir algumas dessas diretrizes dos Drafts passados. Vale salientar que os Seahawksa venceram o Super Bowl (sempre bom lembrar) então isso “atrasou” um pouco o processo de Draft.
Seguiremos com bastantes jogadores, daqui até o draft:
Para você que começou a ver o esporte recentemente, temos alguns posts que podem ajudar na compreensão:
Playbook 15: Caiu na área é penâlti! Conheça as faltas do jogo
Playbook 16: Entenda as posições do futebol americano
Playbook 17: Pontuações na NFL
Playbook 18: Dicionário de termos do Futebol Americano
Vamos ao Report!
📖 Background
Chip Trayanum teve uma das trajetórias mais incomuns entre os running backs da classe, passando por quatro programas FBS diferentes, mudança de posição e um histórico relevante de lesões — fatores que moldam diretamente sua avaliação.
Ex-recruta quatro estrelas, iniciou sua carreira como running back em Arizona State em 2020, onde teve impacto imediato como calouro, liderando o time em jardas terrestres e mostrando forte capacidade de quebrar tackles, apesar de um papel ofensivo ainda relativamente limitado em volume e consistência.
Após problemas físicos e mudanças internas no programa, entrou no transfer portal e foi para Ohio State. Lá, em uma decisão incomum, foi convertido em linebacker, aproveitando seu físico e mentalidade agressiva. Entre 2022 e parte de 2023, teve atuação limitada na defesa e em special teams, sem grande impacto — o que levanta questionamentos sobre definição de posição e desenvolvimento técnico.
Ainda em Ohio State, voltou ao ataque por necessidade do elenco, tendo momentos pontuais de destaque como running back, incluindo um touchdown decisivo contra Notre Dame. Mesmo assim, permaneceu como peça de rotação.
Em 2024, transferiu-se para Kentucky buscando mais oportunidades como RB, mas sua temporada foi interrompida após apenas três jogos devido a lesão — uma red flag importante considerando o histórico já instável.
A virada veio em 2025, já em Toledo. Finalmente em um papel mais consistente, Trayanum teve sua melhor temporada: 1.064 jardas terrestres, alto volume de corridas explosivas (35) e participação no jogo aéreo com recepções explosivas. Seu desempenho lhe rendeu First-Team All-MAC, sendo o ponto mais alto da sua carreira universitária.
Mesmo assim, o contexto importa: produção veio em nível MAC após anos sem protagonismo em programas maiores.
Fora de campo, é descrito como um jogador bem-quisto no vestiário, sem registros de problemas extracampo — um ponto positivo. No entanto, as red flags principais permanecem:
- histórico de lesões (especialmente 2024)
- trajetória inconsistente com múltiplas transferências
🧠 Visão geral
Trayanum é um running back físico, disciplinado e eficiente, cujo jogo é baseado em leitura, paciência e execução dentro da estrutura — não em explosividade ou talento natural de elite.
Seu perfil é claramente de RB complementar, com valor em situações específicas e potencial para contribuir em múltiplos aspectos (corrida, passes curtos, proteção e special teams).
O salto de produção em 2025, combinado com um Pro Day de elite (94º percentil, incluindo 27 reps no bench, 37” no vertical e 4.19 no short shuttle), reforça que há ferramentas atléticas interessantes — mesmo que nem sempre apareçam de forma consistente no tape.
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✅ Pontos fortes
Trayanum é um corredor extremamente disciplinado. Demonstra paciência para deixar os bloqueios se desenvolverem e boa leitura de conceitos de zona, especialmente identificando cutback lanes.
Seu estilo é físico e eficiente. Ele constantemente evita jogadas negativas e maximiza o que está disponível, com boa capacidade de absorver contato e seguir em frente.
Apresenta boa habilidade em espaços curtos, com footwork controlado e pequenos ajustes laterais que permitem navegar tráfego sem perder o equilíbrio.
Forçou 26 missed tackles em 2025 e teve uma taxa alta de corridas explosivas (~19%), o que indica eficiência situacional mesmo sem velocidade de elite.
Sua experiência como linebacker aparece na mentalidade: joga com agressividade, entende ângulos e não foge do contato.
No jogo aéreo, oferece versatilidade funcional. É confortável em screens, swings e checkdowns, além de já ter sido utilizado ocasionalmente aberto. Como pass protector, tem disposição e entendimento, sendo eficaz no contato inicial — algo valorizado na NFL.
Fisicamente, combina massa, equilíbrio e boa capacidade atlética geral, reforçada por números de GPS acima de 22 mph, algo raro para seu tamanho (227 lbs).
❌ Pontos fracos
Sua produção veio tardiamente e em um nível de competição inferior, após não conseguir se estabelecer em programas maiores.
O histórico de lesões continua sendo uma preocupação, especialmente pela interrupção em 2024.
Como pass blocker, apesar da vontade, falta consistência técnica para sustentar bloqueios contra rushers mais fortes.
Também não é um criador natural. Depende mais da estrutura da jogada do que de improvisação ou talento fora do script.
Além disso, sua trajetória com múltiplas mudanças de posição e transferências levanta dúvidas sobre ceiling e desenvolvimento.
📈 Projeção NFL Draft
Final de dia 3, com valor reforçado por special teams, versatilidade e perfil físico.
🧬 Comparação NFL
Lembra um perfil próximo ao de Tyler Allgeier.
🧾 Resumo final
Chip Trayanum é um prospecto de perfil “late bloomer”, que só encontrou produção consistente no último ano e em um contexto menos competitivo.
Seu jogo é baseado em eficiência, disciplina e físico — não em talento explosivo. Isso limita seu teto, mas ao mesmo tempo cria um caminho claro para contribuição na NFL.
Ele projeta como um running back de profundidade que pode agregar valor em múltiplas funções: corridas situacionais, jogo aéreo básico, proteção ao passe e special teams.
Se conseguir traduzir sua produção de 2025 e manter saúde, tem chance real de se firmar como peça útil em um backfield por comitê.
