Entre as diferentes análises que acompanhei sobre o Draft dos Seahawks, uma me chamou a atenção sob a perspectiva do Daniel Jeremiah, analista de draft da NFL Network e ex-scout da liga. Jeremiah concedeu uma entrevista ao Seattle Sports e elogiou o trabalho dos Seahawks descrevendo o Draft como “boringly good” — ou “entediantemente bom”.
Quando questionado sobre escolhas que não lhe pareceram encaixar muito bem, ou muito adequadas, mencionou, por exemplo, a pick 18 dos Vikings, e em seguida voltou às escolhas adequadas e acertadas dos Seahawks. Isso reforça como, na sua opinião, nenhuma escolha dos Seahawks deveria ter sido diferente.
Basicamente isso já resume a análise de Jeremiah: um Draft sem surpresas na opinião dele, e que por isso é tão bom. A solidez está em ter selecionado jogadores que se encaixavam perfeitamente nas necessidades de cada posição. O que mais chamou a atenção dele, porém, foi o perfil dos rookies defensivos Bud Clark (S) e Julian Neal (CB).
Os dois são defensive backs, mas Jeremiah destacou neles algo além do talento físico: a garra e a intensidade que marcam as defesas de alto nível.
Jeremiah começou falando mais sobre Clark, que ele classificou como o 58º melhor jogador do draft no geral, e os Seahawks o escolheram na 64ª posição.
“[Bud Clark] será fora do comum, Seattle irá amá-lo. Absolutamente você vai vê-lo em campo. Ele pode jogar em várias posições”, avaliou Jeremiah.
Jeremiah acredita que entre os dois jogadores, Clark contribuirá de forma mais imediata como rookie na próxima temporada. Destacou não apenas sua qualidade técnica, mas também sua produção dizendo que o jogador “transborda instintos”, em elogio à sua fita.
Julian Neal, por sua vez, pode demorar um pouco mais para se firmar, mas Jeremiah ainda gostou do valor. Neal estava como o 86º jogador em sua classificação pessoal, e os Seahawks o selecionaram na 99ª após um trade back. Jeremiah o descreveu como um corner grande, com boa corrida, boa cobertura de rotas verticais e boa velocidade de recuperação.
“[Julian Neal] é mais uma apólice de seguro […] talvez vejamos uma versão melhor dele no ano dois e três, depois do trabalho do coaching staff”, ponderou.
Clark se apresentou como versátil, competitivo e um “ball hawk”. Neal foi ainda mais direto, dizendo ser o corner mais físico da turma, capaz de pressionar os receivers, travá-los e jogar com agressividade.
O que para alguns pode soar como confiança de calouro, Jeremiah percebeu algo a mais: segundo ele, ambos não demonstraram apenas confiança, mas certa irritação por terem caído tanto no draft.
“Isso soa como autoconfiança, mas também com um toque de raiva, como se dissessem ‘eu deveria ter sido escolhido bem mais alto’”, comentou Jeremiah.
“Você vai ser engolido pelos alphas se não tiver um pouco disso em você”, complementou reforçando que se trata de uma confiança necessária.
Mas isso não é necessariamente negativo, pelo contrário. Ele enxerga nisso exatamente o tipo de orgulho pessoal que os grandes jogadores carregam, independentemente da posição em que foram selecionados.
Isso tem grande importância para os Seahawks, especialmente com Mike Macdonald moldando a defesa. O esquema dele exige que os defensive backs saibam tacklear, disfarçar coberturas, se comunicar e lidar com responsabilidades que mudam constantemente. Não basta ter tamanho e velocidade; é preciso confiança real.
Jeremiah ainda ressaltou que as melhores organizações se destacam não apenas por identificar talento evidente, mas por acertar no “wiring” e no perfil mental dos jogadores, no jeito de pensar e na mentalidade que combina com o time. E ele afirmou que o Seattle tem feito exatamente isso:
“Eles conseguiram isso agora duas vezes. Construíram dois times diferentes com jogadores edgy que se encaixam no estilo que querem jogar”, concluiu.
Como fãs dos Seahawks, temos que reforçar que ele não está comparando os novatos à Legion of Boom – ainda que involuntariamente e silenciosa, a comparação surge, mas seria claramente prematura. Jeremiah apenas observa que o draft não só preencheu lacunas; acrescentou também um certo tipo de personalidade em uma defesa já bem característica.
Em resumo, Daniel Jeremiah concluiu que Clark traz instintos e versatilidade para disputar snaps desde cedo, enquanto Neal oferece tamanho e atitude para se desenvolver em algo bem maior que um DB de profundidade. Juntos, eles dão aos Seahawks dois jovens defensive backs que parecem confortáveis e confiantes em uma defesa que ainda está construindo a próxima era.
O que vocês acharam? Me contem nos comentários. Fico aqui acompanhando para ver como eles vão se encaixar de verdade quando a temporada começar. Go Hawks!
Go Hawks!
