Por dentro da estratégia do Draft dos Seahawks de 2026

O draft de 2026 do Seattle Seahawks não pode ser analisado de forma tradicional. Ele foi moldado por três elementos principais: um board interno extremamente restrito, um ambiente caótico de trocas e a filosofia cada vez mais rígida de John Schneider baseada em competitividade e convicção.

O draft de 2026, no geral, não era visto como uma classe particularmente forte. De acordo com uma fonte, Seattle tinha cerca de 15 jogadores com nota de primeira rodada em seu board — um número menor do que o habitual. O próprio John Schneider já havia destacado antes do evento a falta de profundidade nas rodadas mais avançadas em comparação com outros anos, o que ajuda a explicar a abordagem mais agressiva e seletiva da franquia ao longo do draft.

E isso explica praticamente todas as decisões tomadas.


O Processo

Antes mesmo das escolhas, o processo já mostrava como Seattle avalia seus jogadores. Um desses pontos é que o time valoriza as suas 30 visits. Nesse draft, por exemplo, o time escolheu Bud Clark, Beau Stephens, Andre Fuller, Deven Eastern, todos 30 visits. Falando sobre isso, descobrimos um caso interessante.

Em uma visita, um prospecto chegou a reclamar da demora na visita dentro das instalações — sem perceber que estava falando diretamente com John Schneider. A situação virou uma história interna curiosa, mas ilustra bem o ponto: o time observa comportamento o tempo todo, não apenas desempenho em campo.

Postura, reação e interação fazem parte da avaliação tanto quanto o tape.

Eis a lista de jogadores que tiveram visitas reportadas com os Seahawks:

  • AJ Haulcy
  • Coleman Bennett
  • Chip Trayanum
  • Mike Washington Jr
  • Emmett Johnson
  • Brandon Cleveland
  • Josiah Trotter
  • Beau Stephens
  • Zion Young
  • Keyshawn James-Newby
  • Keyron Crawford
  • R Mason Thomas
  • Malachi Lawrence
  • Cashius Howell
  • Kayden McDonald
  • Jalon Kilgore
  • Treydan Stukes
  • Andre Fuller
  • Daylen Everette
  • Colton Hood
  • Brandon Cisse
  • Deven Eastern
  • Bud Clark

Quem desses pode ter cometido a gafe?


Round 1 – Jadarian Price

A escolha de Jadarian Price foi menos sobre posição e mais sobre contexto. Segundo informações, o CB Chris Johnson era um dos nomes considerados para aquela escolha. Quando ele saiu antes da pick de Seattle, com os Dolphins subindo para tal, o cenário abriu espaço para um movimento lógico: descer no draft.

Pelo board interno, fazia sentido. Fora daquele grupo restrito de elite, o time não via grandes diferenças entre vários prospectos. Um trade down poderia gerar valor adicional sem grande perda teórica.

Só que o draft saiu do script.

O final da primeira rodada foi marcada por uma verdadeira corrida de trocas, com equipes subindo para garantir seus alvos. Isso bagunçou o mercado, reduziu previsibilidade e dificultou encontrar parceiros em condições ideais para descer. Os Titans e Giants foram time conectados a propostas de trade down com os Seahawks. Ademais, no dia 2 John Schneider comentou que “agradecia aos Steelers por terem mantido sua palavra“. Acredito que o um dos times que subiu na frente de Seattle tinha um acordo com o time mas mudou de ideia no último momento, principalmente dada a reação do Draft room dos Seahawks.

Ao mesmo tempo, existia um risco concreto: perder Price.

Seattle tinha leitura forte de que tanto o Tennessee Titans que eram conectados a J. Love, quanto o San Francisco 49ers, que foram o próximo time a escolher um RB, poderiam selecionar Price. E, dentro da avaliação interna, ele ainda era um dos poucos jogadores restantes naquele tier mais alto e que existia um grande gap para o próximo tier de RBs.

A decisão virou uma equação direta:

  • descer significava ganhar valor, mas quase certamente perder o jogador;
  • ficar significava garantir um dos últimos nomes realmente elite do board;

Num cenário instável, Seattle escolheu controlar o risco.

Um grande jogador, uma grande pessoa”, disse John Schneider. “Achamos que haveria algumas oportunidades por um momento, mas elas não se concretizaram. Houve muitas trocas acontecendo logo à nossa frente, mas ele meio que se destacou sozinho.”


Dia 2 – A identidade defensiva

Não houve esse tipo de preocupação quando os Seahawks trouxeram Bud Clark para visita. O time já conhecia bem suas qualidades: sua habilidade com a bola (15 interceptações nas últimas quatro temporadas), sua velocidade (4,41 segundos nas 40 jardas) e sua versatilidade — já que pode atuar como nickel e até como cornerback. Essas características o colocam como uma opção real para substituir Coby Bryant.

Mike Macdonald também destacou sua competitividade durante o Senior Bowl, quando parecia que Clark vencia praticamente todas as repetições de um contra um nos treinos.

A visita deixou os Seahawks empolgados com a possibilidade de adicionar mais um jogador explosivo à secundária. Em Clark, eles enxergam um estilo de jogo intenso e uma personalidade energética que lembram o corner Devon Witherspoon, um dos líderes físicos e emocionais da defesa.

“Ele é muito divertido”, disse John Schneider. “Eu e o Mike estávamos falando sobre as personalidades ao longo do processo. Tipo, cara… se a gente colocar o Bud e o Spoon na mesma sala, o que será que acontece?”

Os Seattle Seahawks fecharam o Dia 2 reforçando mais uma necessidade na secundária ao selecionar o cornerback Julian Neal, de Arkansas, na escolha 99, após descer três posições em uma troca com o Pittsburgh Steelers.

Neal não é exatamente um velocista puro — correu as 40 jardas em 4,49 segundos — mas compensa isso com porte físico e estilo de jogo e que atua de forma agressiva e física. Começou a carreira universitária em Fresno State, teve uma passagem breve por Stanford e depois, como destacou John Schneider, optou por se desafiar competindo na SEC.

Um dos motivos para Seattle não renovar com Riq Woolen foi justamente a falta de consistência e disposição no jogo físico, especialmente nos tackles. Essa, por outro lado, é uma das principais qualidades de Neal, que chega para disputar o papel de terceiro corner na rotação.

Confiança e intensidade marcaram sua primeira aparição para a imprensa. Em uma coletiva por telefone bastante emocional, com a voz chegando a falhar em alguns momentos, Neal se descreveu como o corner mais físico da classe, falou sobre impor contato já na linha de scrimmage e chegou a afirmar, em tom confiante, que os Seahawks vão “ganhar dois títulos seguidos este ano”.

“Ele tem ótimos atributos físicos, uma excelente ética de trabalho, é extremamente competitivo e inteligente”, disse Macdonald. “Esses são todos os ingredientes que acreditamos que podem levá-lo a jogar um futebol ainda melhor conforme sua carreira evoluir.”


Dia 3

Sem escolhas na quarta e quinta rodadas — consequência da troca feita no ano anterior por Rashid Shaheed — o GM tinha tempo de sobra enquanto o board se desenrolava. Assim que começou o sábado, Schneider basicamente entrou em modo de trabalho pesado — focado em encontrar parceiros para possíveis trocas.

A movimentação veio na quinta rodada, quando o guard Beau Stephens, de Iowa, ainda estava disponível. Segundo fontes, dentro da própria organização havia quem o preferisse ao Keylan Rutledge, que acabou saindo ainda na primeira rodada. Seattle também conseguiu conhecer melhor Stephens fora de campo após uma visita, incluindo sua história já compartilhada publicamente sobre lidar com ansiedade e TDAH no início da carreira universitária.

Para garantir o jogador, os Seattle Seahawks enviaram sua escolha de quarta rodada do próximo ano para subir até a posição 148, originalmente dos Cleveland Browns. A expectativa é que Stephens entre imediatamente em competição com o titular atual, Anthony Bradford, pela vaga de right guard ou no mínimo esteja na fila para ser titular ano que vem uma vez que o RG será free agent.

A escolha de sexta rodada (nº 199) dos Seattle Seahawks, o wide receiver Emmanuel Henderson Jr., foi pensada principalmente para impacto em special teams. Ele era um dos favoritos do coordenador Jay Harbaugh, muito por conta da sua capacidade tanto de retornar quanto de cobrir chutes — algo no estilo de Dareke Young, que deixou o time na free agency.

Mesmo em um draft considerado fraco, os Seattle Seahawks conseguiram extrair valor no Dia 3. Internamente, havia a expectativa de que Beau Stephens não estaria mais disponível na escolha 148, o que reforça a agressividade na troca para selecioná-lo.

Outro exemplo foi o corner Andre Fuller. Seattle tinha uma avaliação de quinta rodada para o jogador — um defensive back físico, mas conseguiu selecioná-lo apenas na sétima rodada (236 geral), o que foi visto como valor claro.

Com escolhas adicionais adquiridas ao descer no board mais duas vezes, o time fechou a classe com o defensive tackle Deven Eastern (242) e o corner Michael Dansby (255). Ambos eram jogadores que a franquia acreditava que teria dificuldade em contratar como undrafted free agents, considerando a concorrência e o próprio depth chart nessas posições.

Como em todo draft, houve também os chamados “upsets” — jogadores que o time queria, mas acabou perdendo. Um dos casos foi Kendrick Law, de Kentucky, selecionado cerca de 20 posições após Stephens na quinta rodada. Ele era visto como mais um nome com forte impacto em special teams.

Na posição de edge rusher, o board simplesmente nunca encaixou. Seattle tinha interesse em nomes como R Mason Thomas, além dos companheiros de Michigan Derrick Moore e Jaishawn Barham, mas nenhum cenário favoreceu a escolha. Com a rotação de outside linebackers ainda precisando de reposição após a saída de peças importantes, o veterano Dante Fowler Jr. — que já trabalhou com o coordenador defensivo Aden Durde em Atlanta e Dallas — segue como uma das principais opções na free agency.

No fim, Seattle conseguiu endereçar praticamente todas as suas necessidades no draft — e, mais importante, com jogadores que se encaixam no perfil que a franquia busca: atletas com mentalidade de competir por espaço imediatamente.

“Eles nem estariam no nosso board se a gente não sentisse isso”, disse John Schneider.


Esse texto foi baseado no artigo a seguir:

https://www.espn.com/nfl/story/_/id/48648835/seattle-seahawks-2026-nfl-draft-jadarian-price-bud-clark-john-schnieder-strategy-cpmpetitors

Forever a 12s!

Deixe um comentário