Os Seattle Seahawks já definiram mais um detalhe importante de sua preparação para a temporada 2026.
A equipe comandada por Mike Macdonald realizará novamente um treino conjunto contra o Tennessee Titans durante a pré-temporada, em Nashville, poucos dias antes do confronto entre as equipes no calendário oficial da preseason.
Para muitos torcedores brasileiros, treinos conjuntos talvez pareçam apenas um amistoso disfarçado.
Na prática, dentro da NFL, eles costumam ser tratados quase como mais importantes do que os próprios jogos de pré-temporada.
E existe um motivo para isso.
Diferente das partidas da preseason — onde treinadores normalmente escondem parte do playbook e limitam snaps dos titulares — os joint practices permitem situações muito mais específicas e controladas.
Os técnicos conseguem repetir jogadas, trabalhar cenários específicos e colocar titulares contra titulares sem o risco físico constante de um jogo completo.
Por isso, vários treinadores modernos passaram a valorizar esse formato muito mais do que a própria pré-temporada tradicional.
Mike Macdonald claramente faz parte desse grupo.
Desde que assumiu os Seahawks em 2024, o treinador transformou os treinos conjuntos em parte fixa da preparação da equipe. Curiosamente, o primeiro joint practice de Seattle em mais de 30 anos também aconteceu justamente contra os Titans, durante a primeira temporada de Macdonald no comando da franquia.
Naquele período, Seattle viajou até Nashville para dois dias intensos de atividades antes do jogo de pré-temporada entre as equipes. (seahawks.com) Agora, os Seahawks repetirão a experiência em 2026.
Segundo os relatos iniciais, o treino acontecerá no dia 21 de agosto, enquanto a partida de pré-temporada entre Seahawks e Titans está marcada para 23 de agosto, no Nissan Stadium.
E honestamente, existe uma boa chance de o treino ser mais valioso do que o próprio jogo.
Isso porque, atualmente, a NFL mudou bastante a maneira como utiliza a pré-temporada.
Anos atrás, veteranos jogavam mais snaps, titulares permaneciam em campo por períodos maiores e os jogos tinham importância maior para preparação técnica. Hoje, a maioria das franquias trata essas partidas quase como extensões do training camp.
Os treinadores preferem preservar titulares e evitar lesões desnecessárias.
Consequentemente, os treinos conjuntos viraram o melhor ambiente para avaliar jogadores em situações competitivas reais.
Principalmente para linhas ofensivas e defensivas.
É muito mais fácil avaliar proteção de passe, pressão ao quarterback, cobertura individual e execução física quando os titulares realmente estão em campo participando ativamente dos drills.
No caso específico dos Seahawks, esse tipo de trabalho pode ser extremamente importante em 2026.
Seattle chega para a temporada com expectativas enormes após o título do Super Bowl, mas também com várias disputas internas acontecendo no elenco. A linha ofensiva ainda busca estabilidade, há competição por profundidade entre os recebedores e a defesa continua passando por ajustes dentro do sistema agressivo de Macdonald.
Treinos contra outra franquia ajudam justamente nisso.
Os jogadores deixam de enfrentar diariamente os mesmos companheiros e passam a encarar esquemas diferentes, estilos físicos diferentes e atletas que não conhecem suas tendências.
Isso normalmente acelera o processo de avaliação.
Além disso, joint practices costumam ser especialmente importantes para rookies.
Muitos novatos conseguem produzir dentro do próprio training camp porque já começam a entender os hábitos dos colegas de equipe. Quando enfrentam outra franquia pela primeira vez, a dificuldade muda completamente.
É quase um “teste intermediário” antes da temporada regular começar.
E existe outro fator que também ajuda a explicar por que técnicos gostam tanto desses eventos: controle.
Num jogo de pré-temporada, os treinadores não controlam exatamente quais situações irão aparecer. Em um treino conjunto, eles podem literalmente escolher o que querem trabalhar.
Quer testar red zone?
Dois minutos finais?
Terceira descida?
Proteção contra blitz?
Tudo isso pode ser repetido diversas vezes durante o treino.
Por isso, muitos insiders da NFL já tratam joint practices como a parte mais importante da preparação de agosto.
Os próprios Seahawks demonstraram isso nos últimos anos.
Em 2025, existia a possibilidade de Seattle receber o Dallas Cowboys para um treino conjunto no VMAC, embora o plano nunca tenha sido concretizado. Agora, a franquia mantém a filosofia de realizar trabalhos competitivos fora do ambiente tradicional do training camp.
E honestamente, isso combina muito com Mike Macdonald.
Desde sua chegada, o treinador deixou claro que prefere ambientes altamente competitivos e físicos durante preparação. Os treinos dos Seahawks ganharam intensidade maior, principalmente do lado defensivo da bola.
Treinos conjuntos acabam funcionando como extensão natural dessa mentalidade.
Claro que também existe o risco clássico: confusão.
Quem acompanha NFL há mais tempo sabe que joint practices frequentemente terminam em empurrões, brigas e trocação entre jogadores. Isso acontece porque a intensidade sobe rapidamente quando atletas passam semanas batendo nos próprios companheiros e finalmente enfrentam outro uniforme.
Mas mesmo essas situações costumam ser consideradas “parte do processo” por muitas equipes.
No fim das contas, os Seahawks continuam demonstrando que enxergam agosto de maneira moderna.
Mais do que simplesmente jogar partidas de pré-temporada, Seattle quer transformar cada treino em ferramenta real de preparação competitiva.
E os Titans serão novamente parte importante disso.
