Venda dos Seahawks ganha novos detalhes antes da aprovação da NFL; entenda o que acontece agora

A venda do Seattle Seahawks para o grupo liderado por Vinod Khosla continua gerando repercussão, e novos detalhes surgiram desde que a negociação foi anunciada.

Avaliada em US$ 9,6 bilhões, a operação se tornou a maior venda da história da NFL, superando com folga o recorde anterior, estabelecido pela venda do Washington Commanders em 2023 por US$ 6,05 bilhões. Antes disso, o maior negócio da liga havia sido a venda do Carolina Panthers, em 2018, por US$ 2,275 bilhões.

Desde o anúncio, a NFL começou os procedimentos para analisar a transação. Um memorando enviado aos demais proprietários revelou novos detalhes sobre como será estruturado o grupo que assumirá a franquia.

Segundo o documento, Neeru Khosla, esposa de Vinod Khosla, será a controladora da franquia. Já Neal Khosla, filho do casal, também terá um papel de liderança dentro do grupo proprietário.

Outro ponto importante é que Vinod Khosla ainda possui uma participação minoritária no San Francisco 49ers, estimada em cerca de 3%. Pelas regras da NFL, um proprietário controlador não pode manter participação em outra franquia da liga. Por isso, essa participação precisará ser vendida antes da conclusão definitiva da compra dos Seahawks.

A próxima etapa será a aprovação da venda pelos demais donos da NFL. O regulamento da liga determina que uma mudança de controle de uma franquia precisa receber votos favoráveis de, no mínimo, 24 dos 32 proprietários.

O processo costuma seguir um roteiro semelhante em todas as vendas. Primeiro, o Comitê de Finanças da NFL analisa toda a documentação da negociação, a composição do grupo comprador e a estrutura financeira da operação. Somente depois dessa análise o negócio é levado para votação entre os proprietários.

Foi exatamente isso que aconteceu na venda do Washington Commanders, em 2023. Após meses de análise, a negociação foi aprovada por unanimidade, com 32 votos favoráveis. A expectativa é que o mesmo aconteça com os Seahawks durante a próxima reunião dos proprietários, prevista para o fim de agosto.

Até lá, é provável que novos detalhes sobre a transição sejam divulgados e que a família Khosla comece a apresentar sua visão para o futuro da franquia.

Agora, a visão de um torcedor

Até aqui, falamos dos fatos. Agora, vale trazer um pouco da visão de quem acompanha os Seahawks de perto.

Para começar, acho importante separar as coisas. É óbvio que ninguém investe US$ 9,6 bilhões para prejudicar um rival. Não faz sentido imaginar que alguém gastaria esse dinheiro para “destruir” uma franquia concorrente.

Digo isso porque, como mostramos acima, a família Khosla possui uma ligação antiga com o San Francisco 49ers. E justamente por isso acho totalmente normal que parte da torcida dos Seahawks não tenha ficado completamente confortável com a notícia. Eu mesmo entendo esse sentimento. É uma reação natural quando um novo proprietário chega carregando uma identificação com o principal rival da divisão.

Isso não significa, porém, que ele será um bom ou um mau proprietário. Essa resposta ninguém tem hoje.

O fato de ter sido investidor dos 49ers, por si só, não determina como será sua gestão em Seattle. No fim das contas, ninguém investe quase US$ 10 bilhões para desvalorizar o próprio patrimônio.

Também acho importante fazer outra distinção. Se um torcedor não gostou da compra justamente pela ligação anterior com os 49ers, faz parte. Futebol é paixão, rivalidade e opinião. Todo mundo tem direito de desconfiar ou de preferir outro comprador.

O que não pode acontecer, e infelizmente já começou a aparecer em alguns comentários de torcedores americanos, é a discussão sair do futebol. A família Khosla é de origem indiana, e isso não deveria fazer parte do debate. Criticar decisões de negócios é uma coisa. Ataques preconceituosos ou xenofóbicos são outra completamente diferente e não têm espaço nessa conversa.

Passada essa primeira reação, a pergunta que realmente importa é: que tipo de proprietário os Seahawks terão?

A NFL possui exemplos dos mais variados perfis de donos. Há proprietários extremamente presentes, como Jerry Jones, que participa diretamente de praticamente todas as decisões do Dallas Cowboys. Em contrapartida, existem donos que atuam muito mais como investidores: contratam profissionais qualificados, acompanham os resultados e deixam o futebol nas mãos de quem entende do assunto.

Particularmente, acredito mais nesse segundo modelo.

O dono deve acompanhar a organização de perto, definir objetivos, cobrar resultados e garantir que a franquia tenha estrutura para competir. Mas, se contratou um GM e um treinador porque confia neles, precisa permitir que façam seu trabalho. A interferência deve acontecer quando o projeto deixa de funcionar, não nas decisões do dia a dia.

Por isso, não vejo motivos para imaginar mudanças na autonomia de John Schneider e Mike Macdonald neste momento.

Outro aspecto que merece atenção é o nível de investimento que o novo grupo fará na franquia. Não estamos falando apenas da folha salarial. Proprietários também decidem sobre reformas e modernizações do estádio, melhorias no centro de treinamento, investimentos em tecnologia, departamento médico, estrutura para os jogadores, logística de viagens e diversos outros aspectos que impactam diretamente o desempenho da equipe.

Cada proprietário administra seu patrimônio de uma maneira diferente. Alguns são extremamente agressivos nos investimentos; outros preferem uma postura mais conservadora.

Talvez essa seja a principal pergunta que o torcedor deva fazer hoje. Não “ele veio dos 49ers?”, mas sim: que tipo de dono ele será?

Os Seahawks já viviam uma fase de transição desde a morte de Paul Allen. Durante esse período, Jody Allen manteve a franquia estável e conduziu o processo que culminou na venda da equipe, mas sempre teve uma atuação mais distante do futebol do que seu irmão.

Agora começa uma nova era.

Como já foi divulgado, Neeru Khosla deverá assumir o papel de controladora da franquia. Ainda é cedo para saber qual será seu estilo de gestão, mas minha impressão inicial é que ela pode seguir uma linha parecida com a de Jody Allen: uma proprietária mais discreta, deixando as decisões do futebol nas mãos dos profissionais contratados enquanto acompanha a organização de uma posição mais estratégica.

Se essa impressão vai se confirmar, só o tempo dirá.

Por enquanto, o torcedor pode ter dúvidas, pode desconfiar e pode até não gostar da escolha do comprador. Tudo isso faz parte. O que realmente definirá essa nova fase dos Seahawks, porém, não será o passado da família Khosla, mas as decisões que ela tomará a partir do momento em que assumir oficialmente o controle da franquia.

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