Quando Sam Darnold assinou com os Seahawks, em março de 2025, o contrato de três anos e US$ 100,5 milhões parecia representar uma aposta calculada de Seattle.
O quarterback teria a oportunidade de provar que a temporada de 2024 com os Vikings não havia sido apenas um ponto fora da curva. Seattle, por sua vez, garantiria um titular experiente sem entrar imediatamente no território dos contratos de elite da NFL.
Um ano depois, porém, o cenário mudou completamente.
Darnold levou os Seahawks ao título do Super Bowl LX e entrou em 2026 como o quarterback de uma equipe que pretende continuar brigando pelo topo da NFC. E agora, justamente no início dessa segunda temporada do contrato, outro quarterback acaba de estabelecer uma referência que pode ter consequências enormes para o futuro de Seattle.
Baker Mayfield renovou com o Tampa Bay Buccaneers por três anos e US$ 165 milhões, um acordo que representa US$ 55 milhões por temporada e US$ 110 milhões garantidos.
Para Darnold, isso é uma ótima notícia.
Para John Schneider, nem tanto.
Mayfield acabou de elevar o preço do mercado
O caso de Mayfield é particularmente relevante porque existe uma série de paralelos com Darnold.
Os dois são quarterbacks escolhidos no topo do Draft que passaram por períodos bastante turbulentos no início da carreira antes de encontrarem estabilidade e produzirem futebol de alto nível.
Mayfield foi a primeira escolha geral de 2018. Darnold saiu com a terceira escolha naquele mesmo Draft.
Depois de passarem por diferentes situações, os dois conseguiram reconstruir suas carreiras e provar que poderiam ser titulares competitivos na NFL.
A diferença é que Mayfield já havia estabelecido seu valor em Tampa Bay antes de receber o novo contrato. O quarterback teve duas seleções consecutivas para o Pro Bowl em 2023 e 2024 e, na temporada passada, lançou para 3.693 jardas, 26 touchdowns e 11 interceptações.
Agora, Tampa Bay decidiu apostar definitivamente nele.
E pagou caro por isso.
O contrato de US$ 55 milhões por ano coloca Mayfield em uma faixa de remuneração normalmente reservada aos quarterbacks considerados franquia. Isso significa que, daqui para frente, qualquer quarterback com uma trajetória semelhante terá esse número como parte da negociação.
E Darnold tem um argumento que Mayfield não tinha quando assinou o contrato: um anel de Super Bowl.
O título muda a comparação
É importante não transformar Mayfield automaticamente em um “piso” para Darnold.
Os quarterbacks são avaliados por muito mais do que um único número, e o mercado pode mudar bastante até o momento em que Seattle precise tomar uma decisão.
Mas a extensão de Mayfield é, sem dúvida, uma nova referência.
Darnold entrou em 2025 com a missão de provar que poderia ser um quarterback titular de longo prazo. Ele não apenas conseguiu isso como terminou a temporada conduzindo Seattle ao maior título possível.
Agora, o quarterback precisa mostrar que aquele desempenho pode ser repetido.
É exatamente aí que a temporada de 2026 se torna tão importante.
Se Darnold jogar bem, levar Seattle novamente aos playoffs e principalmente mostrar que o sucesso de 2025 não foi apenas resultado de um excelente sistema ao seu redor, seu poder de negociação será enorme.
Nesse cenário, os US$ 55 milhões anuais de Mayfield podem deixar de parecer um teto e passar a ser apenas o ponto de partida.
O problema para Seattle
John Schneider construiu boa parte de sua carreira evitando comprometer uma parcela gigantesca do salary cap com um quarterback.
Seattle se beneficiou disso durante os primeiros anos de Russell Wilson, quando o quarterback ainda estava em seu contrato de calouro. Depois, também conseguiu competir com Geno Smith em uma situação financeira relativamente favorável.
O contrato atual de Darnold segue uma lógica semelhante.
O acordo de US$ 100,5 milhões por três temporadas permitiu que os Seahawks tivessem um quarterback experiente sem colocar Darnold imediatamente entre os jogadores mais bem pagos da posição.
Só que essa vantagem pode desaparecer rapidamente.
Se Darnold cumprir o que se espera dele em 2026, Seattle terá que decidir entre duas alternativas bastante complicadas.
A primeira é pagar.
E pagar muito.
A segunda é deixar Darnold chegar ao mercado e correr o risco de perder o quarterback que acabou de conduzir a franquia ao Super Bowl.
Não existe uma solução particularmente confortável.
E a lesão desta semana?
A lesão no quadril sofrida por Darnold na vitória contra os Patriots torna o assunto ainda mais atual, mas, por enquanto, não muda significativamente essa equação.
Os exames descartaram uma fratura grave, embora Seattle ainda não tenha estabelecido um prazo definitivo para seu retorno. A expectativa é que Darnold possa perder pelo menos a partida contra Arizona, enquanto a equipe monitora sua recuperação.
Uma ausência curta não altera o valor de mercado de um quarterback.
Uma temporada inteira, obviamente, poderia.
Por isso, o mais importante para Darnold agora é voltar saudável e continuar fazendo exatamente o que fez em 2025: jogar um futebol suficientemente bom para convencer Seattle de que vale a pena construir o futuro ao seu redor.
Quanto Darnold poderia valer?
É impossível estabelecer hoje um número definitivo.
O mercado de quarterbacks muda rapidamente e ainda teremos toda a temporada de 2026 pela frente.
Mas a renovação de Mayfield torna uma coisa bastante clara: Darnold dificilmente poderá esperar uma extensão de US$ 40 milhões por temporada se continuar jogando em nível de quarterback de franquia.
Se Mayfield vale US$ 55 milhões por ano depois de reconstruir sua carreira e estabelecer-se como o titular de Tampa Bay, Darnold terá argumentos para buscar algo nessa região — ou até acima dela — caso consiga repetir o sucesso de 2025.
E existe uma diferença importante.
Mayfield recebeu seu novo contrato depois de temporadas boas, mas sem uma conquista de Super Bowl.
Darnold já tem um.
Se Seattle repetir o sucesso e Darnold for uma peça importante novamente, o argumento para um contrato ainda maior ficará muito mais forte.
É por isso que o próximo contrato de Darnold pode acabar sendo uma das decisões financeiras mais importantes da era John Schneider.
Seattle já começou a escolher quem vai pagar
Existe ainda outro detalhe importante.
Os Seahawks não estão parados enquanto o contrato de Darnold se aproxima do fim. A equipe já renovou com jogadores importantes como Jaxon Smith-Njigba, Devon Witherspoon, Leonard Williams e Derick Hall.
Isso significa que Seattle está começando a distribuir seu espaço financeiro entre várias peças fundamentais.
Darnold será a próxima grande pergunta.
E a resposta pode depender muito menos do que ele vale hoje e muito mais de quanto o mercado estará disposto a pagar por um quarterback que acabou de ganhar um Super Bowl.
Baker Mayfield acabou de colocar US$ 55 milhões anuais na mesa.
Agora Sam Darnold terá a oportunidade de decidir se quer sentar ao lado dessa mesa — ou se pretende exigir uma cadeira ainda mais cara.
Para os Seahawks, o ideal seria resolver essa questão antes que o preço suba novamente.
Porque, se Darnold tiver outra grande temporada, talvez US$ 55 milhões sejam apenas o começo da conversa.
