Mike Macdonald nunca escondeu que é um treinador obcecado por encontrar novas maneiras de melhorar o trabalho de sua equipe. Em 2026, essa busca levou o técnico dos Seahawks a incorporar cada vez mais uma ferramenta que está começando a transformar diferentes áreas da NFL: a inteligência artificial.
Em entrevista recente e em uma reportagem da NFL.com sobre o processo de trabalho de Seattle, Macdonald explicou que os Seahawks estão utilizando ferramentas de IA, incluindo o Microsoft Copilot, para organizar informações, analisar dados e tornar mais eficiente o processo de preparação para os jogos. A equipe é parceira da Microsoft na área de inteligência artificial e vem testando diferentes maneiras de incorporar a tecnologia à rotina do departamento de futebol.
A ideia, porém, não é simplesmente deixar uma inteligência artificial decidir o que Seattle deve fazer em campo. Macdonald vê a tecnologia como uma ferramenta para acelerar o trabalho dos treinadores e permitir que eles tenham acesso a mais informações em menos tempo.
“Você pode chegar à mesma resposta, mas se chegar a ela três dias antes, isso é extremamente valioso”, explicou Macdonald, destacando justamente o ganho de tempo proporcionado pela tecnologia.
Macdonald quer mergulhar de cabeça na IA
O treinador dos Seahawks não parece interessado em adotar a tecnologia apenas de maneira superficial. Segundo a NFL.com, Macdonald tem ideias específicas para transformar o Copilot em uma parte regular do fluxo de trabalho da comissão técnica.
Um dos exemplos já colocados em prática envolve as próprias reuniões de Macdonald. O treinador grava seus encontros e utiliza a ferramenta para organizar as informações, destacar pontos importantes e produzir anotações específicas. O objetivo é melhorar a clareza das mensagens e garantir que treinadores e jogadores recebam informações consistentes ao longo da semana.
Para uma comissão técnica que precisa processar uma quantidade gigantesca de informações durante uma temporada, esse tipo de ferramenta pode economizar horas de trabalho.
Brian Eayrs, diretor de análise de futebol e situações especiais dos Seahawks, é uma das pessoas que trabalha diretamente com esse processo. Seu departamento utiliza tecnologia para organizar grandes volumes de vídeos e dados, estudar tendências dos adversários e construir modelos para diferentes situações que podem aparecer durante uma partida.
A IA entra justamente nesse ponto: ajudar a organizar e consultar uma quantidade de informação que seria difícil de processar manualmente.
“Sou um cara obcecado por dados”
Essa não é uma mudança repentina na maneira como Macdonald pensa futebol.
Em julho, o treinador já havia se definido como um “psycho data guy” durante uma entrevista ao programa de Dan Patrick. Na ocasião, Macdonald explicou que gosta de trabalhar com números e tendências, mas fez uma ressalva importante: os dados não devem substituir a tomada de decisão dos treinadores.
“Analytics não conduzem nossas decisões, eles apoiam nossas decisões”, explicou Macdonald.
A distinção é importante. A intenção de Seattle não parece ser entregar o controle do processo a uma inteligência artificial, mas utilizar a tecnologia para ampliar a quantidade de informações disponíveis para os profissionais que precisam tomar as decisões.
E isso combina com uma filosofia que Macdonald repete desde que chegou a Seattle: não aceitar uma determinada prática simplesmente porque ela sempre foi feita daquela maneira.
“Por que existe tanta resistência a tentar? Por que não estamos tentando encontrar a melhor maneira absoluta de fazer as coisas?”, questionou o treinador.
A próxima fronteira: ensinar futebol para a IA
Talvez a parte mais interessante do projeto esteja justamente no que ainda não foi totalmente desenvolvido.
Macdonald quer descobrir até onde a inteligência artificial pode compreender o próprio sistema defensivo dos Seahawks. Mais do que isso, ele quer saber se a tecnologia pode aprender os sistemas dos adversários a ponto de ajudar a comissão técnica na preparação dos jogos.
Na prática, seria possível imaginar uma ferramenta capaz de analisar enormes quantidades de filmagem, identificar tendências ofensivas e defensivas e apresentar aos treinadores padrões que poderiam passar despercebidos em uma análise convencional.
Mas Macdonald reconhece que esse processo ainda está em desenvolvimento.
“Às vezes você terá consultas ruins. Às vezes terá dados ruins entrando e dados ruins saindo”, afirmou.
Por isso, o treinador entende que Seattle ainda precisa aprender como utilizar corretamente a tecnologia, quais dados fornecer e como interpretar aquilo que recebe de volta.
“É um processo que vamos adotar e abraçar”, disse Macdonald, indicando que a intenção é construir esse sistema pensando no longo prazo.
Para os Seahawks, portanto, a inteligência artificial não aparece como uma substituta para os treinadores. Ela é mais uma ferramenta dentro de uma filosofia que Macdonald chama de “chasing edges”: encontrar pequenas vantagens em todos os aspectos possíveis do trabalho.
E, em uma liga na qual todos os times têm acesso às mesmas partidas, aos mesmos jogadores e a uma quantidade cada vez maior de dados, a capacidade de transformar essas informações em conhecimento antes dos adversários pode acabar sendo justamente uma dessas pequenas vantagens.
