Uma pequena mudança nas regras da NFL pode mudar uma das decisões mais tensas durante uma partida.
A partir da temporada de 2026, Mike Macdonald não precisa mais ser a pessoa que joga a famosa bandeira vermelha de desafio no campo.
A NFL alterou o procedimento para permitir que o treinador principal escolha, antes da partida, um membro da comissão técnica para fazer isso em seu lugar.
E, para quem acompanha a NFL no Brasil, vale explicar exatamente o que isso significa.
O que é a bandeira vermelha?
Durante uma partida, os treinadores podem pedir que uma jogada seja revisada pelos árbitros.
Esse pedido é chamado de challenge, ou desafio.
Quando um treinador acredita que uma decisão da arbitragem está errada, ele tradicionalmente pega uma bandeira vermelha que fica na lateral do campo e joga no gramado.
Isso avisa aos árbitros:
“Quero que essa jogada seja revisada.”
A arbitragem então analisa as imagens disponíveis para decidir se a marcação original deve ser mantida ou alterada.
Até 2025, essa responsabilidade era exclusivamente do head coach, o treinador principal.
Agora isso mudou.
O que mudou em 2026?
O novo texto da Regra 15, Seção 1, Artigo 1(a), permite que o treinador principal designe um membro da comissão técnica para iniciar os desafios.
Mas existe uma regra importante:
A pessoa precisa ser definida antes do jogo começar.
E o time não pode ficar trocando de pessoa durante a partida.
Ou seja, o treinador pode decidir:
“Hoje, quem vai jogar a bandeira é o fulano.”
E essa pessoa será responsável por executar o pedido durante aquela partida.
Por que a NFL fez isso?
A explicação mais interessante está no comportamento dos treinadores durante os jogos.
Imagine uma jogada extremamente importante.
Seu quarterback acaba de sofrer um sack.
Você está perdendo por três pontos.
O relógio está correndo.
A torcida está enlouquecida.
E você vê uma jogada que acredita que deveria ser revertida.
Nesse momento, o treinador pode tomar uma decisão muito mais emocional do que racional.
E é justamente isso que a mudança pode ajudar a evitar.
Um membro da comissão técnica pode estar concentrado exclusivamente nas imagens e nas informações disponíveis para determinar:
“Essa jogada realmente vale um desafio?”
Em 2025, foram registrados 151 desafios dos treinadores, o maior número em seis anos.
Então não estamos falando de algo que acontece raramente.
É uma decisão que pode aparecer diversas vezes durante uma temporada.
E como isso pode funcionar em Seattle?
Aqui começa a parte interessante para os Seahawks.
Mike Macdonald não é exatamente conhecido por ser um treinador que perde a cabeça facilmente.
Muito pelo contrário.
Ele costuma ser bastante controlado na lateral do campo.
Em sua carreira como head coach dos Seahawks, Macdonald teve apenas quatro desafios, com duas decisões revertidas e duas mantidas — um aproveitamento de 50%.
Então talvez ele nem veja necessidade de abrir mão dessa responsabilidade.
Mas existe uma alternativa interessante.
O Field Gulls cita Daniel Stern, que trabalhou com Macdonald durante sua passagem pelo Baltimore Ravens e tinha experiência justamente em decisões durante os jogos.
A ideia seria ter alguém olhando especificamente para as evidências disponíveis enquanto Macdonald continua concentrado no restante da partida.
Isso significa que Macdonald não decide mais?
Não.
Essa é uma distinção importante.
A mudança não tira do treinador principal o poder de decidir se a equipe vai desafiar uma jogada.
Ela simplesmente permite que outra pessoa execute o procedimento de jogar a bandeira.
Ou seja:
Macdonald ainda pode dizer:
“Desafia.”
Só não precisa ser ele quem pega a bandeira vermelha e joga no campo.
É uma mudança pequena, mas que pode tornar o processo mais organizado.
E existe um detalhe estratégico
O desafio não é simplesmente pedir para o árbitro “dar uma olhada”.
Cada equipe tem um número limitado de oportunidades.
Por isso, desafiar uma jogada errada pode custar uma oportunidade que seria muito mais valiosa posteriormente.
Além disso, existe um elemento de tempo.
A decisão precisa ser tomada antes da próxima jogada ou do próximo chute.
Então o responsável pelo desafio precisa identificar rapidamente se existe evidência suficiente para acreditar que a decisão da arbitragem pode ser revertida.
É praticamente uma função de análise em tempo real.
E é aí que a mudança pode fazer bastante sentido.
A NFL está tentando tirar a emoção da decisão
No fundo, essa alteração parece simples:
o treinador não precisa mais jogar a bandeira.
Mas existe uma filosofia interessante por trás dela.
A NFL está permitindo que os times criem uma espécie de divisão de responsabilidades.
O head coach continua comandando o jogo.
Os coordenadores continuam cuidando de suas unidades.
E uma pessoa especializada pode ficar responsável por acompanhar as possíveis revisões.
Para um treinador como Mike Macdonald, que já tem uma postura bastante racional, talvez a diferença seja pequena.
Mas imagine um treinador mais explosivo, no meio de uma partida apertada.
Ter alguém ao lado dizendo:
“Calma. Nós vimos o replay. Não vale a pena desafiar.”
pode evitar um erro.
E os Seahawks?
Agora fica uma pergunta interessante para 2026:
quem será o responsável por jogar a bandeira vermelha em Seattle?
Macdonald pode continuar fazendo isso pessoalmente.
Ou pode delegar a função para alguém da sua comissão técnica.
E, considerando que a mudança foi criada justamente para permitir uma decisão mais racional e menos emocional, talvez seja interessante ver se os Seahawks serão uma das equipes que realmente vão aproveitar a novidade.
No fim das contas, a bandeira vermelha continua sendo a mesma.
O desafio continua sendo o mesmo.
O árbitro continua tendo a palavra final.
A única diferença é que, a partir de agora, Mike Macdonald pode mandar alguém jogar a bandeira por ele.
E em uma liga onde uma única jogada pode decidir uma temporada inteira, até uma mudança aparentemente pequena como essa pode fazer diferença.
