Foi na quinta-feira, mais precisamente 15 de janeiro. O Seattle Seahawks entrou em campo no Thurday night football, tentando se recuperar de mais um derrota na temporada. Do outro lado do campo o adversário da vez era o Denver Broncos, nosso rival histórico da antiga AFC Oeste, mas que na última década essa animosidade foi revidada graças ao confronto no Super Bowl, a troca de Russell Wilson e as farpas lançadas de um lado a outro pelos técnicos principais das duas equipes. Tudo isso construía uma ambiente tenso no Mile High Stadium.
O resultado do que vimos durante os quatro quartos foi um das piores atuações ofensivas da história do Seattle Sehawks. Penso que só não foi pior do que aquele 37×3 de 2023, que por sinal foi contra a defesa do Baltimore Ravens liderada por um jovem coordenador chamado Mike Macdonald. Contra os Broncos o que vimos na quinta-feira foi um junção de péssimo trabalho da comissão técnica, decisões ruins e principalmente, péssimas atuações técnicas de muito dos jogadores.
Já se passaram alguns dias entre o momento que Will Lutz chutou o field goal que terminou a partida e o momento que esse texto sendo escrito. Pessoalmente fiz para ter um visão mais racional de tudo, analisar com a cabeça fria, mas sinceramente minha visão não mudou muito desde de então. Sem perder muito mais tempo, vamos começar esse Raio-x.
Brian Fleury, Sam Darnold, Linha ofensiva e sistema.
O Raio-X, desde que o seu formato atual foi criado, sempre se dedicou a ser uma crônica. Sempre tentei criar analogias para contar as narrativas. Nesta temporada, já falamos sobre a história da maratona, sobre as fábulas de Esopo, sobre futebol, sobre o técnico Celso Roth. Em anos anteriores, falamos sobre cinema, fenômenos físicos, luz e sombra etc. Depois da partida de quinta-feira, refleti muito, procurei referências, pesquisei temas, tudo para tentar algo que fizesse sentido com o que eu queria contar. Mas foi nesse momento que uma pergunta me veio à cabeça: o que exatamente eu quero contar? É tanta coisa errada, tantos aspectos negativos, que absolutamente nenhum tema seria capaz de repassar para vocês, meus caros leitores, a grandiosidade que foi a minha percepção do desastre que nos foi apresentado. Foi então que, humildemente, decidi apenas abrir meu coração e passar minhas impressões.
Primeiro de tudo, o que é exatamente um Brian Fleury? Na transmissão da Rapinas TV, comentávamos o desastre anunciado que o mesmo seria. Vamos contextualizar um pouco. Mike Macdonald, em termos de operação de partida, é um coordenador defensivo que administra o relógio e toma decisões como chutar ou não field goal. Ele gasta a maior parte das suas energias treinando, ajustando e controlando a defesa. Todo o lado ofensivo está nas mãos do coordenador, e isso pode ter consequências muito negativas. Principalmente se o coordenador em questão nunca teve experiência nenhuma com chamadas antes de chegar à nossa franquia. A experiência de Fleury era de 11 anos trabalhando na defesa e apenas 7 trabalhando no ataque, sendo o cargo mais alto um ano como coordenador de jogo corrido. Resumindo, alguém sem nenhum tipo de casca e entendimento da posição em que está no momento. Seu cargo com maior tempo de atuação do lado ofensivo da bola é de três anos como técnico de tight ends. Apontamos na intertemporada que isso poderia ser um ponto positivo para AJ Barner: o camisa #88 poderia estar na iminência de uma Breakout season. O resultado? QUINZE recepções em 24 alvos para 138 jardas e NENHUM touchdown.
Mas não é só do banco que os problemas vêm. O fato é direto e indiscutível: Sam Darnold está jogando mal nesta temporada, e ponto. Desde que retornou de lesão, nosso quarterback titular é um dos piores da NFL. E aqui deixo bem claro que sou extremamente grato ao camisa #14. Jamais vou esquecer quando, na final de conferência contra os Los Angeles Rams, ele só colocou o time inteiro nas costas e praticamente venceu o jogo sozinho. Mas a verdade é que ele tem atrapalhado e muito o ataque este ano. Também não é exagero nenhum dizer que os nossos melhores momentos na temporada foram com Drew Lock atrás do center. As interceptações em momentos decisivos, inclusive na campanha que poderia ser a da virada e na prorrogação para entregar o jogo na quinta-feira, contando também a pick and six contra os Commanders, já tiraram do time duas possíveis vitórias.
Por outro lado, Darnold também não está sendo ajudado em nada pela linha ofensiva, pelo contrário. No ano passado, Charles Cross, Grey Zabel, Jalen Sundell, Anthony Bradford e Abraham Lucas formaram uma das melhores unidades de toda a liga. John Benton fez um ótimo trabalho por toda a temporada. Este ano, as coisas mudaram drasticamente. Nas duas últimas partidas, nós cedemos 10 sacks, exatamente cinco em cada partida. Não é exagero nenhum argumentar que, em seu ano de calouro, Grey Zabel foi top 5 guards da NFL. Até aqui, nesses seis jogos, também não é exagero dizer que ele tem sido um dos piores. A mesma lógica também pode ser usada para Lucas. O que exatamente mudou? Imagino que seja uma combinação do que falei nos parágrafos anteriores, mas a verdade é que, sem um sistema ofensivo que coloque os jogadores em melhores posições que fortaleçam suas qualidades e escondam seus defeitos, todo mundo parece estar mais exposto e acaba prejudicando toda a equipe.
Futuro e competição.
Depois de uma desnecessariamente e um tanto que desordenada longa sessão de desabafo, vamos fazer uma curta reflexão sobre o futuro da nossa equipe. Será que realmente seremos competitivos? Na nossa divisão o San Francisco 49ers se isolou mais na liderança da divisão com cinco vitórias e nenhuma derrota, o tão poderoso Los Angeles Rams perdeu para Arizona Cardinals em casa e está amargando a lanterna da divisão. No resto da conferência a única outra equipe que parece se destacar são os Vikings. Analisando friamente a situação é fácil perceber que não tem nada perdido, por mais que o campo nos aponte que estamos longe de sermos competitivos. Ainda existem onze jogos pela frente, uma sequência de três vitórias pode ser o suficiente para recuperar a confiança. Só temos que ter a coragem necessária para fazer as mudanças que estão gritando para serem realizadas, agora é esparrar para ver.
