O general manager John Schneider voltou a mostrar que não tem medo de fazer movimentos agressivos durante a temporada. Os Seattle Seahawks adquiriram Quenton Nelson, um dos guards mais respeitados de sua geração, em uma troca com o Indianapolis Colts. Para conseguir o jogador, Seattle enviou apenas uma escolha de terceira rodada do Draft de 2027 e outra de quinta rodada de 2028, além de assumir o restante proporcional de seu contrato para a temporada de 2026.
A negociação é um investimento significativo em uma posição que vinha apresentando problemas. Os Seahawks estão com campanha de 4-3 e têm ambições de disputar novamente o Super Bowl, mas precisam melhorar a proteção a Sam Darnold e encontrar mais consistência no jogo terrestre. Nelson tem currículo, experiência e qualidade técnica para ajudar nos dois aspectos, embora seus números nesta temporada mostrem que será necessário acompanhar seu desempenho dentro de campo, e não apenas confiar na reputação.
Aos 30 anos, Nelson tem seis seleções All-Pro e foi escolhido para o Pro Bowl em cada uma de suas oito primeiras temporadas na NFL. Segundo o Elias Sports Bureau, desde a fusão entre NFL e AFL, em 1970, apenas quatro jogadores ofensivos conseguiram essa sequência de oito Pro Bowls desde o início da carreira: Nelson, os running backs Hall of Famers Franco Harris e Barry Sanders e o offensive tackle Joe Thomas.
Não estamos falando de uma aposta em um jogador que talvez se desenvolva ou de uma tentativa de recuperar alguém que perdeu espaço. Seattle está adquirindo um veterano com um histórico de excelência e resultados recentes que indicam que ele ainda pode atuar entre os melhores da posição.
Uma coincidência curiosa: Seattle agora reúne Nelson e Darnold
A história de Nelson também tem uma ligação curiosa com Sam Darnold, atual quarterback dos Seahawks. No draft de 2018 os Jets trocaram com os Colts para subirem da 6 geral para 3 geral. Eles subiram e escolheram justamente Sam Darnold, enquanto os Colts ficaram na sexta e pegaram Quenton Nelson, sendo o guard draftado mais alto desde então.
O problema que Seattle precisava resolver
A necessidade de reforçar o interior da linha ofensiva ficou evidente ao longo da temporada. Segundo os números da Pro Football Focus (PFF), os Seahawks ocupavam a 32ª posição da NFL em jardas antes do contato nas corridas direcionadas entre os gaps B, com apenas 0,3 jarda por tentativa. O time na 31ª posição já alcançava 0,8 jarda.
Outros indicadores reforçam o tamanho do problema. Seattle ocupava a 26ª posição em EPA por jogada ofensiva, a 31ª em EPA por corrida planejada e a 27ª em taxa de vitórias nos bloqueios para o jogo terrestre. A equipe também aparecia na 28ª posição em jardas por corrida planejada dos running backs, com apenas 3,6, e na mesma posição em jardas antes do contato nas corridas desenhadas. Na proteção ao passe, o time estava em 21º lugar na taxa de vitórias dos bloqueios.
Os números mostram que a dificuldade não está restrita a um único jogador. A linha ofensiva como unidade não tem conseguido criar espaços suficientes para o jogo terrestre e tampouco oferece a regularidade necessária na proteção ao quarterback. Quando os bloqueadores perdem os duelos no interior, os running backs encontram defensores antes de conseguirem acelerar, enquanto a pressão reduz o tempo disponível para Darnold executar as jogadas.
A chegada de Nelson oferece uma solução em potencial. O guard é conhecido pela combinação de força, técnica e capacidade de deslocar defensores no jogo corrido. Sua presença pode melhorar a execução dos bloqueios no interior da linha e dar aos running backs condições mais favoráveis para encontrar espaço.
A proteção ao passe também é uma parte importante dessa equação. Até a Week 7, Nelson havia participado de 275 snaps de bloqueio para passe sem permitir nenhum sack, com uma taxa de pressão cedida de 2,2% em um dos levantamentos apresentados.
É importante, porém, olhar para a temporada completa e para a evolução recente do jogador. De acordo com os dados de win rate divulgados pela ESPN, Nelson registrou uma taxa de vitórias de 66º percentil na proteção ao passe e 37º percentil no jogo terrestre em 2026. São números inferiores aos que apresentou nas duas temporadas anteriores, especialmente no bloqueio para corridas.
Isso não significa que ele deixou de ser um jogador de alto nível. A trajetória recente mostra justamente o contrário: depois de uma queda de produção em 2022 e 2023, Nelson voltou a apresentar resultados de elite em 2024 e manteve um bom nível em 2025. A expectativa é que ele ainda tenha condições de oferecer um desempenho superior ao que Seattle vinha recebendo na posição de guard.
Uma comparação interessante é do guard Joe Thuney, contratado pelos Chiefs em 2021 com idade semelhante à de Nelson hoje. Após chegar a Kansas City, Thuney conquistou três seleções consecutivas para o primeiro time All-Pro e manteve um alto nível nos anos seguintes. Nelson pode oferecer um retorno semelhante: Seattle troca escolhas de Draft por produção comprovada, com a possibilidade de estender seu contrato e aproveitar o investimento por várias temporadas.
O interior da linha ofensiva dos Seahawks vinha permitindo a maior taxa de pressão da NFL, enquanto Darnold apresentava o segundo pior EPA por tentativa de passe quando pressionado. Nelson não resolverá todos os problemas sozinho, mas oferece uma oportunidade de melhorar duas áreas fundamentais do ataque com uma única contratação.
Quanto custou a troca por Quenton Nelson?
Seattle enviou aos Colts uma escolha de terceira rodada do Draft de 2027 e uma de quinta rodada de 2028. Em troca, recebeu Nelson e assumiu o restante de seu contrato para a temporada de 2026.
O contrato de Nelson prevê US$ 16 milhões em salário para a temporada. Considerando o restante proporcional do vínculo no momento da negociação, o compromisso financeiro de Seattle é de aproximadamente US$ 9,777 milhões.
Para um jogador com o currículo e o potencial de impacto de Nelson, esse valor representa uma oportunidade interessante. Jogadores desse calibre não ficam disponíveis para troca dessa forma.
Com o contrato terminando ao fim da temporada, é natural projetar e se preocupar com valores da extensão.
No mercado de linha ofensiva da NFL em 2026, os contratos já atingiram valores expressivos. Entre os guards, Peter Skoronski lidera com média de US$ 25 milhões por temporada, seguido por Trey Smith, do Kansas City Chiefs, com US$ 23,5 milhões, e Chris Lindstrom, do Atlanta Falcons, com US$ 21,8 milhões. Entre os centers, Tyler Linderbaum, agora no Las Vegas Raiders, lidera com US$ 27 milhões anuais, enquanto Creed Humphrey, do Chiefs, recebe US$ 18 milhões.
Provavelmente Nelson vai demandar algo na casa de 25M. O contrato de Ernest Jones e Leo Williams foram excelentes, enquanto a de Shaheed foi bem acima do valor esperado. Vejamos se John consegue fazer sua mágica novamente.
Vale lembrar que esse foi a forma como o GM operou em outas trocas durante a temporada. Alguns exemplos:
- Duane Brown, em 2017;
- Quandre Diggs, em 2019;
- Carlos Dunlap, em 2020;
- Leonard Williams, em 2023;
- Ernest Jones IV, em 2024;
- Rashid Shaheed, em 2025;
- Quenton Nelson, em 2026.
O que muda na linha ofensiva de Seattle?
A chegada de Nelson abre uma discussão sobre a formação titular e a melhor maneira de aproveitar os jogadores que já estão no elenco. O cenário mais provável é que ele assuma sua posição habitual de left guard, enquanto Grey Zabel seja deslocado para right guard.
Isso colocaria Nelson no lado em que construiu toda a sua reputação e permitiria que Seattle aproveitasse a versatilidade de Zabel sem precisar mudar completamente a estrutura da linha. Anthony Bradford, que voltou recentemente de injured reserve seria o principal candidato a perder a posição de titular nesse cenário.
Zabel tem experiência em diferentes posições da linha ofensiva, algo que ficou evidente durante sua preparação para o Draft e sua participação no Senior Bowl. Entretanto, é importante não exagerar a experiência que ele possui no lado direito: foram apenas três jogos nessa região da linha durante sua passagem por North Dakota State.
Ele também treinou em diferentes posições durante o Senior Bowl, o que demonstra sua versatilidade e capacidade de aprender novas funções. Ainda assim, ter treinado em várias posições não significa necessariamente possuir experiência consolidada em todas elas.
A possibilidade de utilizá-lo como center, por exemplo, parece menos provável. Além da experiência mais limitada nessa posição, o trabalho exige domínio de responsabilidades específicas, incluindo a execução do snap e a comunicação dos ajustes da linha ofensiva antes da jogada.
O que Quenton Nelson vai agregar ao ataque?
Quenton Nelson was an elite prospect coming out of Notre Dame. Since 1985, only three guards have been drafted in the top six: Bill Fralic (No. 2, 1985), Brandon Scherff (No. 5, 2015) and Nelson (No. 6, 2018).
— alexcastrofilho.bsky.social (@alexcastrofilho.bsky.social) 28 de outubro de 2026 às 00:01
Nelson é um jogador fantástico e nada novo. Isso era fácil de ver desde a época do College sendo o guard escolhido mais alto desde então e se juntando a um seleto grupo. Desde 1985, apenas três guards foram selecionados entre as seis primeiras escolhas gerais do Draft da NFL: Bill Fralic, segunda escolha pelo Atlanta Falcons em 1985; Brandon Scherff, quinta escolha pelo Washington em 2015; e Quenton Nelson, sexto escolhido pelo Indianapolis Colts em 2018.
Myles Garrett vs. Quenton Nelson is a matchup we could see for years to come. Two elite players going head-to-head. Hopefully, Nelson keeps winning this battle.
— alexcastrofilho.bsky.social (@alexcastrofilho.bsky.social) 28 de outubro de 2026 às 00:02
Consegui encontrar um snap que deve acontecer algumas vezes nos proximos anos, Myles Garrett vs Quenton Nelson. Dois excelentes jgoadores, espero que o resultado se repita com frequência.
Nelson's technique is outstanding. His execution is firm and precise, leaving the defender with virtually no time to react. It's a rare level of technical ability.
— alexcastrofilho.bsky.social (@alexcastrofilho.bsky.social) 28 de outubro de 2026 às 00:02
Sua técnica é espetacular. Execução firme e prefeita não dá chances para o defensor reagir, é um talento muito diferenciado.
Even at 30, Nelson can neutralize second-level defenders with excellent angles. He also consistently finishes blocks by putting opponents on the ground. He's an excellent addition to a zone-running scheme.
— alexcastrofilho.bsky.social (@alexcastrofilho.bsky.social) 28 de outubro de 2026 às 00:02
Apesar dos 30 anos, ainda anula bloqueadores do segundo nível com excelentes ângulos e sempre procura finalizar as jogadas com seus adversários no chão. Excelente aquisição para um esquema baseado em corridas em zona.
Another snap, another defender on the ground. Nelson uses sound technique and the right angle to open a cutback lane for a solid gain. Seattle has struggled with these blocks, sometimes letting linebackers into the backfield untouched. Nelson should be a major upgrade.
— alexcastrofilho.bsky.social (@alexcastrofilho.bsky.social) 28 de outubro de 2026 às 00:04
Mais um snap terminando com um jogador adversário no chão. Técnica, ângulo perfeito para abrir caminho para o corte do RB e bom avanço. A OL de Seattle tem tido problemas técnicos e de comunicação para esse avanço e ângulo de bloqueio resultando em alguns LBs indo livre para o backfield, Nelson deve ser um grande upgrade nessa questão.
Nelson uses technique and power to move defensive linemen and control the line of scrimmage. Seattle has struggled to create running lanes through physical dominance, making this an area where he could have an immediate impact.
Soma técnica a força e consegue empurrar e conter os DL na linha de scrimmage. Tem sido um problema recorrente para Seattle abrir espaços com imposição física. Esse talvez seja o ponto que Nelson mais pode agregar de forma imediata.
If you ever need to explain the concept of a reach block, this is a good example.
— alexcastrofilho.bsky.social (@alexcastrofilho.bsky.social) 28 de outubro de 2026 às 00:05
Caso você precise epxlicar para alguém o conceito de reach block…
O reach block é um bloqueio em que o offensive lineman tenta alcançar um defensor alinhado do lado de fora, movendo-se lateralmente para ficar à frente dele e selar seu caminho. É comum em esquemas de outside zone, nos quais a linha ofensiva precisa controlar os espaços laterais.
Diferentemente de um drive block, o objetivo não é necessariamente empurrar o defensor para trás, mas ganhar posicionamento e impedir que ele atravesse o bloqueio para perseguir o running back. Se o defensor consegue vencer essa disputa de posicionamento, pode penetrar no backfield e interromper a corrida. Um dos bloqueios mais difíceis do jogo, alinha técnica e capacidade física.
This is pin-and-pull done right. Nelson pulls into the designed space, adjusts to the defender's positioning, and finds the right angle to open the lane for the touchdown.
— alexcastrofilho.bsky.social (@alexcastrofilho.bsky.social) 28 de outubro de 2026 às 00:06
O pin-and-pull bem executado e Nelson sai como puller no caminho aberto e perceba como ele vai se ajustando ao posicionamento do defensor para tomar o melhor ângulo possível para abrir o gap para o TD.
Screens are a staple of Fleury's offense, and Nelson should help here, too. He shows patience, lets the play develop, and avoids an illegal block before reaching the linebacker and clearing the way for the running back.
— alexcastrofilho.bsky.social (@alexcastrofilho.bsky.social) 28 de outubro de 2026 às 00:06
Screen também é algo bastante usado por Fleury e Nelson pode ajudar nisso. percaba como ele não se afoba tem o timing certo para avançar sem cometer falta de bloqueio ilegal no downfield, chega no LB e simplesmente como um limpa neve abre caminhos para o RB.
Veredito
A troca por Quenton Nelson é uma aposta agressiva, mas coerente com as necessidades dos Seahawks. Seattle precisava melhorar o jogo terrestre e a proteção pelo interior da linha ofensiva, e está adquirindo um jogador de elite, com experiência e capacidade comprovada numa oportunidade que não bate a porta com tanta frequência. O que acontecerá no futuro é sempre incerto, mas foi um investimento incrível para o time alinhando necessidade, qualidade do OG e um preço barato.
O impacto imediato dependerá também da reorganização da linha, especialmente da adaptação de Grey Zabel à direita. Se o guard mantiver o alto nível e Seattle conseguir renová-lo, a troca poderá ser lembrada não apenas como um reforço para a reta final de 2026, mas como um investimento importante no futuro do ataque.
Go Hawks!
