Os Seattle Seahawks começaram a free agency de 2026 com uma missão relativamente clara: manter o máximo possível do núcleo campeão do Super Bowl sem comprometer a flexibilidade futura do salary cap. Nesse processo, três contratos chamaram atenção não apenas pelos valores envolvidos, mas principalmente pela forma como foram estruturados: as renovações de Drake Thomas, Josh Jobe e Rashid Shaheed.
Embora os três acordos tenham objetivos diferentes — profundidade defensiva, manutenção de titular e investimento em explosividade ofensiva — todos seguem uma lógica semelhante da diretoria liderada por John Schneider: cap hits baixos no início, bônus diluídos e pontos claros de saída nos anos finais.
Drake Thomas, LB
O primeiro movimento foi a extensão de Drake Thomas, que entraria na offseason como restricted free agent (RFA). Em vez de simplesmente aplicar uma tender de um ano — que variaria entre aproximadamente US$ 3,5 milhões e US$ 5,7 milhões dependendo do nível escolhido — os Seahawks optaram por um acordo de dois anos que garante estabilidade ao jogador e controle ao time.
O contrato ficou assim:
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2 anos
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US$ 8 milhões base
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até US$ 9 milhões com incentivos
A estrutura detalhada ajuda a entender por que o acordo é tão interessante para Seattle.
Thomas recebeu cerca de US$ 1,5 milhão de signing bonus, além de salários base relativamente modestos ao longo do contrato. Apenas uma parte do salário de 2026 é totalmente garantida, e o contrato inclui bônus por participação em jogos e incentivos ligados ao tempo de jogo e produção.
Na prática, isso cria dois efeitos importantes:
Primeiro, o cap hit inicial permanece bastante baixo, algo essencial para um time que ainda precisa lidar com outras renovações e potenciais reforços.
Segundo, o contrato mantém flexibilidade para 2027. Caso Thomas continue evoluindo como titular ao lado de Ernest Jones, o time pode mantê-lo por um valor ainda abaixo do mercado de linebackers titulares. Caso contrário, o impacto financeiro para seguir outro caminho é mínimo.
É basicamente um acordo para recompensar o breakout de 2025 sem assumir um compromisso de longo prazo. A tender é um valor NÃO garantido. Então, é basicamente uma situação ganha-ganha. O time não gasta muito mais, recompensa o jogador pelo bom ano e Thomas recebe algumas garantias.
Thomas terminou a temporada com 96 tackles, 3,5 sacks e 10 tackles para perda de jardas, consolidando-se como peça importante na defesa de Mike Macdonald.
Josh Jobe, CB
O mercado de CB estava valorizado, então, me amedrontava muito o valor que iríamos pagar em Jobe. Ainda bem que John Schneider fechou um bom acordo. Seattle conseguiu mantê-lo com um acordo de 3 anos e US$ 24 milhões, com US$ 14,25 milhões garantidos.
A estrutura segue um modelo muito comum para cornerbacks titulares de segundo escalão:
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Signing bonus relevante (US$ 7 milhões)
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salários base moderados no início
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garantias concentradas nos dois primeiros anos
Isso cria uma janela clara de avaliação do contrato.
Na prática, os Seahawks estão comprometidos com Jobe por dois anos. Após esse período, o time poderá decidir entre:
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manter o jogador com cap hits maiores, ou
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liberá-lo com dead money relativamente pequeno.
Ou seja, o ponto real de decisão do contrato está em 2028, mesmo sendo um acordo de três anos.
Esse tipo de estrutura é comum quando um time quer manter um titular, mas sem assumir um risco excessivo caso o jogador não mantenha o mesmo nível de desempenho.
Rashid Shaheed, WR
O contrato mais interessante — e potencialmente mais complexo — é o de Rashid Shaheed. Os WRs seguem sendo muito bem pagos. Shaheed recebeu como um WR2, mesmo que ainda não tenha um produção condizente com esse cargo.
Seattle assinou com o recebedor e retornador um acordo de:
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3 anos
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US$ 51 milhões
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US$ 34,7 milhões garantidos
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US$ 20 milhões de signing bonus
Esse é um contrato significativamente maior do que os outros dois e reflete a forma como o time enxerga Shaheed: não apenas como retornador, mas como arma explosiva dentro do ataque.
A estrutura segue um padrão cada vez mais comum na NFL moderna:
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Signing bonus extremamente alto
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salários base relativamente baixos no primeiro ano
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garantias concentradas no início do contrato
Com isso, Seattle consegue manter o cap hit de 2026 relativamente controlado, mesmo pagando muito dinheiro garantido ao jogador.
Mas o ponto mais interessante desse acordo aparece quando analisamos o ponto de saída do contrato.
Assim como no caso de Jobe, o contrato de Shaheed parece ser essencialmente um compromisso de dois anos, com o terceiro funcionando como um ano de decisão.
Se o jogador continuar sendo um playmaker explosivo, o time o mantém sem problemas. Caso contrário, existe uma janela de corte ou renegociação que reduz significativamente o impacto no cap.
Todos eles possuem pontos claros de reavaliação entre dois e três anos, o que permite aos Seahawks manter competitividade no presente sem comprometer excessivamente o salary cap no futuro.
Para um time tentando defender um título, essa talvez seja a estratégia mais difícil de executar — e até agora, Seattle parece estar navegando bem esse equilíbrio.
