Durante boa parte da offseason, uma pergunta rondava os torcedores dos Seahawks: será que DeMarcus Lawrence já havia feito tudo o que queria na NFL?
A dúvida fazia sentido.
Depois de 11 temporadas defendendo o Dallas Cowboys, Lawrence chegou a Seattle em 2025 com um objetivo muito claro: conquistar o primeiro Super Bowl de sua carreira. Menos de um ano depois, ele levantou o Troféu Lombardi ao lado da defesa comandada por Mike Macdonald e ajudou os Seahawks a retornarem ao topo da NFL.
Para muitos jogadores veteranos, esse seria o encerramento perfeito.
Mas aparentemente não para Lawrence.
Durante os Organized Team Activities (OTAs), o pass rusher deixou claro que a aposentadoria nunca esteve realmente nos planos e confirmou que retornará para a temporada de 2026. Segundo o veterano, além de ainda acreditar que consegue atuar em alto nível, o ambiente encontrado em Seattle foi determinante para sua decisão.
O título não diminuiu sua fome competitiva
Existe uma narrativa comum no esporte profissional: atletas veteranos perseguem durante anos um título e, quando finalmente o conquistam, sentem que a missão foi cumprida.
Lawrence seguiu o caminho oposto.
Ao invés de enxergar o Super Bowl como o capítulo final da carreira, ele parece encará-lo como a prova de que ainda pode ser uma peça importante em um time candidato ao título.
A própria temporada de 2025 ajuda a explicar esse pensamento.
Mesmo entrando no seu 12º ano na NFL, Lawrence continuou sendo um dos defensores mais influentes do elenco. Terminou a campanha com seis sacks, 53 tackles, três fumbles forçados e uma seleção para o Pro Bowl. Sua presença foi fundamental para estabelecer a identidade física que marcou a defesa dos Seahawks durante a campanha do título.
Os números talvez não saltem aos olhos quando comparados aos principais caçadores de quarterbacks da liga, mas o impacto de Lawrence sempre foi muito maior do que sacks.
Ele continua sendo um dos melhores edge defenders da NFL contra o jogo terrestre, além de oferecer liderança, comunicação e versatilidade dentro do esquema defensivo.
São características que normalmente não aparecem nas estatísticas tradicionais.
A importância do veterano aumenta após a saída de Boye Mafe
A permanência de Lawrence ganha ainda mais relevância quando observamos as mudanças recentes no elenco.
Com a saída de Boye Mafe durante a free agency, Seattle perdeu um dos jogadores mais produtivos da rotação de pass rush. Embora Derick Hall tenha acabado de receber uma extensão contratual e seja visto como peça importante para o futuro, a defesa ainda precisa de veteranos capazes de manter o padrão de desempenho imediatamente.
É aí que Lawrence se torna indispensável.
Além da produção individual, ele funciona como uma espécie de ponte entre gerações dentro do grupo. Jogadores como Hall, Byron Murphy, Jared Ivey e outros jovens defensores se beneficiam diariamente da experiência acumulada por alguém que já disputou mais de 150 partidas na NFL.
Para uma equipe que pretende defender o título do Super Bowl, esse tipo de liderança tem valor difícil de mensurar.
A ausência nos treinos tinha uma explicação simples
Parte das especulações sobre aposentadoria surgiu porque Lawrence não participou do início dos trabalhos voluntários da offseason.
Como acontece frequentemente na NFL, a ausência gerou rumores.
A realidade, porém, era muito mais simples.
O defensor permaneceu em sua casa no Texas ajudando a esposa a cuidar da filha recém-nascida e de outro filho pequeno. Durante todo o período, manteve contato constante com a comissão técnica, que tinha conhecimento completo do planejamento.
Quando finalmente apareceu nas instalações dos Seahawks, qualquer dúvida desapareceu imediatamente.
Mike Macdonald já havia indicado anteriormente que o jogador seguia seu cronograma normalmente e que não existia preocupação interna sobre seu futuro.
O desafio agora é repetir algo raríssimo
Se conquistar um Super Bowl já é difícil, defender o título costuma ser ainda mais complicado.
A NFL é construída para promover equilíbrio. Elencos mudam rapidamente, jogadores deixam equipes vencedoras e o calendário passa a colocar um alvo ainda maior sobre o campeão.
Por isso, Seattle sabe que repetir a campanha de 2025 será uma missão extremamente complicada.
Mas a permanência de Lawrence ajuda a preservar justamente aquilo que tornou os Seahawks tão perigosos na temporada passada: uma linha defensiva agressiva, física e capaz de controlar jogos.
Ao lado de Leonard Williams, Derick Hall, Byron Murphy e da nova profundidade adicionada durante a offseason, Lawrence continua sendo uma das peças centrais da identidade defensiva criada por Mike Macdonald.
Mais do que um retorno, uma mensagem
Talvez a principal notícia não seja simplesmente que DeMarcus Lawrence voltará para 2026.
A mensagem mais importante é o motivo.
Ele não está retornando por obrigação contratual. Não está tentando prolongar a carreira apenas por mais um ano.
Lawrence voltou porque acredita que ainda pode contribuir em alto nível e porque acredita que os Seahawks continuam sendo um time capaz de disputar outro campeonato.
Para uma franquia que tenta construir uma dinastia após conquistar o Super Bowl, ouvir isso de um dos líderes do vestiário pode ser tão importante quanto qualquer contratação realizada durante a offseason.
Seattle não terá apenas um veterano de volta.
Terá de volta um jogador que ainda acredita que o melhor pode estar por vir.
