Acredito que uma das posições em que se colocou muita expectativa no Draft seria se os Seahawks iriam trazer um EDGE, ou ao menos quando. O time havia trazido algumas opções entre as 30-Visit, mas, mesmo saindo de 4 escolhas para 8, o time só endereçou a posição com opções vindas do UDFA (obviamente já esperando assinar com Dante Fowler alguns dias após o draft).
Uma dessas apostas foi Aidan Hubbard, um defensor disciplinado, consistente contra o jogo terrestre e relativamente avançado no entendimento de leverage e posicionamento para alguém que não possui ferramentas físicas dominantes. Há uma maturidade funcional no jogo dele. Hubbard entende como sobreviver dentro do rep mesmo quando não vence imediatamente. Isso aparece no modo como ele fecha o edge, como mantém os olhos no backfield e principalmente na forma como raramente abandona a jogada antes do apito.
Num cenário em que muitas franquias buscam profundidade confiável para rotações de pass rush, especialmente em frentes híbridas e odd fronts, Hubbard se encaixa como um daqueles prospectos que provavelmente nunca será o nome principal da unidade defensiva — mas que pode acabar jogando snaps importantes exatamente porque técnicos confiam no que ele entrega down após down.
Quem é Aidan Hubbard?
A trajetória de Hubbard não foi construída em torno de dominância precoce ou estrelato nacional. Natural da região de Cleveland, Ohio, ele cresceu em Rocky River praticando múltiplos esportes, incluindo basquete e baseball, antes do futebol se tornar claramente sua prioridade. Esse background multiesportivo aparece no tape de maneira sutil, principalmente em aspectos de coordenação corporal e movimentação lateral em espaços curtos.
Como recruta três estrelas da classe de 2021, ele não chegou a Northwestern University cercado pelo mesmo nível de expectativa reservado aos principais prospects do país. Sua evolução foi gradual. Redshirt em 2021, participação rotacional em 2022 e então um crescimento consistente dentro da defesa dos Wildcats até se tornar o principal produtor de sacks da equipe por três temporadas consecutivas.
Ele teve uma excelente semana no Shrine Bowl, um dos destaques do evento.
Analisando a escolha (no caso a assinatura)
Se você pode inferir algo sobre o dinheiro garantido dos UDFAs, é que o time queria contar com ele. Hubbard foi o que recebeu o maior valor com uma grande diferença para o restante da classe. Era um jogador que tinha nota de draftável, então foi um bom valor para os Seahawks nesse momento.
DE Aidan Hubbard: $267,500
WR Michael Briscoe: $125K
DE Marvin Jones Jr.: $65K
DT Uso Seumalo: $40K
TE Lance Mason: $20K
LB Devean Deal: $15K
WR Levi Wentz: $10K
O grupo de EDGE permite espaço para disputa. Seria uma aposta segura dizer que a posição pela qual os Seahawks fariam alguma troca seria por um EDGE. Derick Hall está em ano de contrato, Demarcus Lawrence teve rumores sob aposentadoria, Uchenna Nwosu vem de uma temporada saudável depois de muito tempo e carrega um grande cap hit. O time assinou com Dante Fowler como EDGE 4, uma boa assinatura, mas nada que resolve de uma vez por todas os setor. Fora ele, Jared Ivey e Connor O’Toole, estão na disputa. Apesar de terem jogado poucos snaps ano passado, lembrem-se que o time preferiu cortar outros jogadores do que ter o risco de perdê-los.
Qualidades no tape: um defensor mais técnico do que explosivo
O primeiro elemento que chama atenção no tape de Hubbard é a maneira como ele entende leverage contra o jogo terrestre.
Aidan Hubbard, EDGE, #91
Even without ideal arm length for the position, Hubbard often stabilizes reps through consistent knee bend and smart body positioning. There are multiple snaps where tackles try widening him at the edge and struggle to move his center of gravity.
— alexcastrofilho.bsky.social (@alexcastrofilho.bsky.social) 22 de maio de 2026 às 22:59
Mesmo sem braços particularmente longos para os padrões da posição, ele frequentemente consegue estabilizar reps através de knee bend consistente e posicionamento corporal inteligente. Há vários snaps em que tackles tentam widen-lo na borda e simplesmente não conseguem mover seu centro de gravidade com facilidade. Hubbard joga com base relativamente firme, quadris baixos e boa capacidade de absorção inicial de contato.
Aidan Hubbard, EDGE, #91
Instead of attacking blockers recklessly and losing gap control, Hubbard usually plays with visual patience. He reads the play while maintaining partial extension through contact. Even without dominating physically, he consistently closes off outside running lanes.
— alexcastrofilho.bsky.social (@alexcastrofilho.bsky.social) 22 de maio de 2026 às 23:02
Em vez de atacar agressivamente o bloqueador logo de início e perder controle do gap, Hubbard costuma trabalhar com paciência visual. Ele lê o desenvolvimento da jogada enquanto mantém extensão parcial no contato. Mesmo quando não domina fisicamente o tackle, consegue “fechar a porta” da corrida ao reduzir o espaço externo disponível para o running back.
Esse detalhe traduz muito bem para a NFL.
Aidan Hubbard, EDGE, #91
Many college edge defenders produce sacks but collapse against the run because they play too vertically. Hubbard does the opposite. The tape shows a player who values contain before splash plays, and his initial quickness is better than it first appears.
— alexcastrofilho.bsky.social (@alexcastrofilho.bsky.social) 22 de maio de 2026 às 23:02
Muitos edge defenders no nível do college produzem sacks mas colapsam contra corrida porque jogam de maneira excessivamente vertical. Hubbard faz o oposto. O tape mostra alguém consciente da importância de manter contain antes de tentar criar impacto. Sua quickness inicial também é melhor do que parece numa avaliação superficial.
Aidan Hubbard, EDGE, #91
He doesn’t have elite burst, but he often gains half a step through timing and how he reduces his surface area early in reps. Hubbard works well in short spaces, attacking the tackle’s outside shoulder before the set point is fully established.
— alexcastrofilho.bsky.social (@alexcastrofilho.bsky.social) 22 de maio de 2026 às 23:03
Ele não possui elite burst, mas frequentemente ganha meio passo logo após o snap graças ao timing de saída e ao modo como reduz superfície corporal nos primeiros passos. Hubbard trabalha relativamente bem em espaços curtos. Sua aceleração inicial permite atacar o outside shoulder do tackle antes que o bloqueador consiga estabelecer completamente o set point. Quando consegue entrar em half-man relationship cedo no rep, o rush dele se torna muito mais eficiente.
Aidan Hubbard, EDGE, #91
He keeps his feet active throughout the rush, keeps working his hands after losing initial contact, and often finds secondary sacks because he never quits on the rep. That shows up especially on long third downs, where he keeps adjusting angles and pressuring the QB.
— alexcastrofilho.bsky.social (@alexcastrofilho.bsky.social) 22 de maio de 2026 às 23:04
Ele mantém os pés vivos durante o rush, continua trabalhando mãos mesmo após perder o primeiro contato e frequentemente encontra sacks secundários porque não abandona o rep quando o quarterback sobe no pocket. Isso fica especialmente evidente em third downs longos. Em várias situações, o primeiro rush não gera vitória limpa, mas Hubbard consegue reajustar ângulo e continuar pressionando até forçar movimento do quarterback.
Aidan Hubbard, EDGE, #91
He processes screens quickly, keeps clean vision into the backfield, and reacts well to misdirection. He’s not an explosive lateral pursuit defender, but he limits defensive busts and maintains strong discipline throughout games.
— alexcastrofilho.bsky.social (@alexcastrofilho.bsky.social) 22 de maio de 2026 às 23:05
Ele processa screens rapidamente, mantém visão relativamente limpa para o backfield e geralmente reage bem contra misdirection. Isso não significa que seja um defensor extremamente explosivo perseguindo lateralmente — porque não é — mas ele reduz busts defensivos e mantém disciplina tática durante o jogo inteiro.
Aidan Hubbard, EDGE, #91
The first-step quickness jumps off the tape. Hubbard accelerates well in short areas and consistently diagnoses fake handoffs and zone reads early, allowing him to attack before the play fully develops.
— alexcastrofilho.bsky.social (@alexcastrofilho.bsky.social) 22 de maio de 2026 às 23:07
Excelente primeiro passo e velocidade em espaço curto. Isso se soma a sua capacidade de identificar bem fake handoffs e zone reads.
Aidan Hubbard, EDGE, #91
This rep summarizes Hubbard’s game well. The OT oversets outside because of the head fakes, and Hubbard becomes nearly untouchable inside with the slant on his first step explosive. He keeps fighting through contact, finishes the sack, and even gets hurt on the play.
— alexcastrofilho.bsky.social (@alexcastrofilho.bsky.social) 22 de maio de 2026 às 23:11
Esse snap é um resumo do jogo de Hubbard. O OT se prepara para defender o lado externo com os head fakes do EDGE, e basicamente no primeiro passo ele fica inalcançável com slanting. Ele se mantém lutando e consegue e consegue trazê-lo para o chão. Ainda se machucou nessa jogada.
Aidan Hubbard, EDGE, #91
Hubbard is a good open-field athlete. He rarely quits on plays and keeps hunting the QB or RB even when the action develops away from his side.
— alexcastrofilho.bsky.social (@alexcastrofilho.bsky.social) 22 de maio de 2026 às 23:14
Ele é um bom atleta em espaço aberto. Não desiste da jogada e perseguindo e na caça seja do QB ou RB mesmo que o lance se desenvolva para longe dele.
Aidan Hubbard, EDGE, #91
Hubbard executed slants and stunts extremely well in college, which should translate nicely to Seattle’s defense. The first-step burst, head fakes, and acceleration through multiple gaps make him a dangerous looper once the stunt develops.
— alexcastrofilho.bsky.social (@alexcastrofilho.bsky.social) 22 de maio de 2026 às 23:16
Ele executava muito bem slantings e stunts. Isso deve ser muito útil na defesa dos Seahawks. Bom primeiro passo e fake e explosão apra atacar dois gaps depois no stunt e fazer o sack.
Problemas e limitações
Na NFL, edge frequentemente precisam vencer mesmo quando o plano inicial falha. E é aí que Hubbard encontra dificuldades. Quando tackles conseguem absorver seu primeiro passo e neutralizar a conversão de velocidade para potência, muitos reps simplesmente morrem.
O rush dele ainda trava no meio da jogada com frequência.
Aidan Hubbard, EDGE, #91
The biggest limitation is the lack of a natural counter once the bull rush stalls or the tackle maintains depth in the set. There are several reps where Hubbard gets into the blocker’s chest, fails to generate movement, and ends up stuck without resetting his hands
— alexcastrofilho.bsky.social (@alexcastrofilho.bsky.social) 22 de maio de 2026 às 23:18
Falta um counter move realmente natural quando o bull rush é absorvido ou quando o tackle mantém boa profundidade no set. Em vários snaps do tape, Hubbard entra no peito do bloqueador, não gera deslocamento suficiente e acaba “grudado” sem conseguir resetar mãos ou redirecionar ataque.
Aidan Hubbard, EDGE, #91
The lack of length also shows up against stronger tackles. Without long arms to maintain separation, Hubbard sometimes loses his chest plate too early in reps. Once that happens, recovering leverage becomes difficult and he can get controlled at the point of attack.
— alexcastrofilho.bsky.social (@alexcastrofilho.bsky.social) 22 de maio de 2026 às 23:18
A limitação de comprimento também aparece constantemente contra tackles mais fortes. Sem braços longos para manter separação limpa, Hubbard às vezes perde o chest plate cedo demais no rep. Quando isso acontece, ele tem dificuldade para recuperar leverage e frequentemente fica controlado no ponto de ataque.
Aidan Hubbard, EDGE, #91
The tackling is also more inconsistent than it should be. Hubbard arrives in position often, but footwork and balance at contact lead to avoidable misses. At times he tackles too high or loses body control trying to finish laterally.
— alexcastrofilho.bsky.social (@alexcastrofilho.bsky.social) 22 de maio de 2026 às 23:19
O tackling também oscila mais do que deveria. Ele chega corretamente em várias jogadas, porém a consistência de pés e equilíbrio no momento do contato gera misses evitáveis. Às vezes Hubbard entra alto demais no tackle ou perde controle corporal ao tentar finalizar em movimento lateral.
Veredito
Hubbard dificilmente será o jogador que transforma uma defesa sozinho. Mas o tape sugere alguém capaz de sobreviver tecnicamente, competir fisicamente e manter funcionalidade estrutural dentro de uma rotação.
A projeção de Hubbard provavelmente gira em torno de um papel rotacional sólido. Ele parece o tipo de defensor que pode entrar inicialmente como EDGE4 ou EDGE5, contribuir em special teams e gradualmente ganhar snaps em early downs graças à confiabilidade contra corrida. Em terceiras descidas óbvias, seu impacto dependerá diretamente da evolução do arsenal de pass rush.
Mas, antes de tudo ele vai precisar vencer muitos concorrentes para a vaga.
