Seahawks apostam no futuro e renovam com Derick Hall até 2029

Depois da troca dos Rams por Myles Garrett, os Seahawks se mexeram. Longe de ser um movimento no mesmo patamar. O time deu mais um passo importante na construção do núcleo defensivo da era Mike Macdonald. Nesta terça-feira, Seattle acertou uma extensão contratual de três anos com o pass rusher Derick Hall, mantendo o jogador vinculado à franquia até o final da temporada de 2029.

O novo acordo vale US$ 42 milhões, podendo chegar a US$ 46,5 milhões através de incentivos, e inclui US$ 21 milhões garantidos. Em um mercado que tem visto os principais edge rushers ultrapassarem facilmente a marca dos US$ 20 milhões anuais, o contrato chama atenção por um motivo simples: os Seahawks estão pagando pelo que acreditam que Hall vai se tornar, e não necessariamente pelo que ele já produziu.

A renovação surpreende pelo timing. Hall ainda tinha um ano restante em seu contrato de calouro e não existia qualquer urgência para Seattle fechar um acordo neste momento. Ainda assim, John Schneider preferiu agir antes que o valor do jogador pudesse disparar após a temporada de 2026.

A estratégia é clara: comprar os melhores anos da carreira de Hall antes que eles se tornem muito mais caros.

Um contrato extremamente amigável para Seattle

Os números ajudam a entender por que a renovação foi recebida com tanto entusiasmo por parte da torcida.

Os US$ 14 milhões anuais colocam Hall apenas na faixa intermediária dos edge rushers da NFL, seria algo em torno do 30º EDGE mais bem pago da liga. Apesar de ser tratado internamente como uma peça importante para o futuro da defesa, seu salário médio o deixa distante da elite financeira da posição.

Para efeito de comparação, Boye Mafe assinou recentemente com os Bengals um contrato de três anos e US$ 60 milhões, média de US$ 20 milhões por temporada. Já Nick Herbig, dos Steelers, recebeu uma extensão de quatro anos avaliada em US$ 100 milhões, com US$ 42 milhões garantidos no mesmo dia. O jogador dos Steelers tem mais sacks, porém menos pressões e menos impacto contra o jogo corrido.

Mesmo sem possuir a produção de um jogador estabelecido, Hall agora recebe um aumento gigantesco em relação ao contrato de novato, que pagava cerca de US$ 2 milhões por ano. Ao mesmo tempo, Seattle evita entrar em uma futura disputa de mercado caso o jogador exploda estatisticamente no próximo ano.

Os números ainda não contam toda a história

Quem olhar apenas para as estatísticas pode estranhar a decisão.

A temporada de 2025 esteve longe de ser o salto que muitos esperavam após sua evolução em 2024.

Hall viu sua participação cair de aproximadamente 60% dos snaps defensivos para 46%, mesmo tendo perdido apenas 2 jogos (um por lesão e um por suspensão). Sua produção como pass rusher não explodiu e os erros também aumentaram. O número de tackles perdidos subiu significativamente, enquanto os sacks e pressões ficaram abaixo das expectativas criadas durante a offseason.

Por esse motivo, a renovação não pode ser encarada como uma recompensa por desempenho.

Ela representa algo diferente.

Representa confiança.

Os Seahawks acreditam que Hall ainda está longe de atingir seu teto como jogador, algo que foi comentado desde que foi escolhido na segunda rodada de 2023. A avaliação parece ser que a curva de desenvolvimento do pass rusher continua subindo e que seus melhores anos ainda estão por vir. Isso fica ainda mais evidente quando observamos o contexto da posição dentro do elenco.

O sucessor de Lawrence e Nwosu?

A renovação também oferece pistas sobre os planos futuros da franquia.

DeMarcus Lawrence foi contratado para ajudar imediatamente a defesa, mas está entrando na reta final da carreira. Uchenna Nwosu continua sendo uma peça importante, porém as lesões têm sido um fator constante nos últimos anos.

Enquanto isso, Boye Mafe já não faz mais parte do elenco.

Nesse cenário, Hall surge como o principal candidato para assumir um papel de protagonismo entre os edge rushers da equipe nos próximos anos. A expectativa é que ele tenha o maior volume de snaps de sua carreira em 2026, assumindo responsabilidades cada vez maiores dentro do sistema de Mike Macdonald.

Para Seattle, existe uma diferença enorme entre desenvolver um jogador que já conhece o sistema há quatro temporadas e apostar em um novato para desempenhar imediatamente o mesmo papel. Tem apenas 25 anos (completou em Março) e tem o físico, estilo e mentalidade que Mike Macdonald procura.

Uma mudança de mentalidade na NFL

A renovação de Hall também reflete uma tendência interessante que começa a ganhar força na liga. Durante muitos anos, equipes esperavam que jogadores escolhidos no Draft se tornassem titulares confiáveis até o segundo ou terceiro ano de carreira. Hoje, esse processo parece estar levando mais tempo.

A realidade do futebol universitário mudou drasticamente. Transferências constantes entre programas, NIL (Name, Image and Likeness) e menos tempo de desenvolvimento dentro de um mesmo sistema fizeram com que muitos prospectos chegassem à NFL mais crus tecnicamente.

Esse raciocínio ajuda a explicar por que Seattle preferiu investir em uma extensão agora em vez de simplesmente esperar.

Um marco para a gestão de John Schneider

Existe ainda um detalhe simbólico nessa renovação.

Apesar de Schneider ter escolhido diversos edges ao longo de sua trajetória em Seattle, Hall se torna o primeiro edge rusher draftado pelo general manager a receber uma extensão de longo prazo com a franquia.

Isso demonstra o quanto a organização acredita em sua evolução.

Mais do que os sacks, mais do que as estatísticas de pressão ao quarterback, a mensagem enviada pelos Seahawks é clara.

Eles enxergam Derick Hall como parte fundamental da próxima geração da defesa.

Se essa projeção estiver correta, os US$ 42 milhões pagos hoje poderão parecer uma verdadeira barganha dentro de dois ou três anos.

E considerando o histórico recente de John Schneider em negociações antecipadas, essa parece ser exatamente a aposta que Seattle está fazendo.

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