Lance Mason vai buscar uma vaga entre os TEs

Após o término do Draft, os Seahawks tinham pouco espaço para adicionarem UDFAs, e mesmo assim, o time decidiu assinar com um TE, Lance Mason. Seattle já possui um grupo extremamente congestionado na posição: AJ Barner emergiu como peça importante após um segundo ano muito forte, Elijah Arroyo continua sendo um investimento alto da franquia, Eric Saubert recebeu uma extensão surpreendente no meio da temporada passada e nomes como Harrison Bryant, Nick Kallerup e até Brady Russell seguem disputando snaps e funções específicas.

Em teoria, não existe muito espaço.

Mas muitas vezes esse é o cenário em que a maioria dos UDFAS estão e ainda assim conseguem achar espaço. Principalmente numa franquia que tem vários exemplos de sucesso com UDFAs.


Quem é Lance Mason?

Criado em Rockwall, no Texas, ele passou boa parte do high school atuando dos dois lados da bola, jogando como linebacker e tight end em Rockwall-Heath High School. Mason nunca desenvolveu o perfil corporal típico de um tight end dominante inline, mas herdou mentalidade de contato e entendimento de espaço de quem passou anos jogando próximo ao box.

Ainda assim, ele saiu do ensino médio praticamente ignorado pelo recruiting tradicional. Sem estrelas na classe de 2022, acabou em Missouri State, no nível FCS. Os dois primeiros anos foram discretos estatisticamente. Mason aparecia mais como peça complementar dentro do ataque, alternando snaps e funcionando como alvo de segurança em situações curtas. O salto veio em 2024, quando finalmente assumiu papel maior dentro do sistema ofensivo dos Bears: 34 recepções, 590 jardas e seis touchdowns, produção suficiente para colocá-lo entre os tight ends mais eficientes da conferência.

A temporada abriu portas para um salto de competição, e então veio a transferência para Wisconsin em 2025.

Muitos tight ends conseguem produzir no FCS utilizando vantagem física contra adversários inferiores. Mason fez justamente o contrário: subiu de nível e continuou funcional mesmo dentro de um ataque aéreo extremamente limitado. Liderar Wisconsin em jardas recebidas com 398 recepções não parece impressionante olhando apenas box score, mas o contexto muda completamente a interpretação. O jogo aéreo dos Badgers foi inconsistente durante boa parte do ano, com problemas de proteção, dificuldade de criar explosivos e pouca eficiência vertical.

Ainda assim, Mason continuou aparecendo.

E isso importa bastante na projeção para NFL, porque o tape mostra um jogador que constantemente encontrava maneiras de ser utilizável independentemente da estrutura ofensiva ao redor.


Por que Seattle se interessou?

Os Seahawks não estão montando um grupo de tight ends baseada exclusivamente em mismatch atlético. Existe uma clara preferência por jogadores capazes de alinhar em múltiplos pontos da formação, executar assignments variados e manter a estrutura do ataque funcional sem denunciar tendências. Mason traz isso.

A primeira característica que salta no filme é seu entendimento de spacing contra cobertura de zona. Mason possui uma noção muito natural de como desacelerar rotas sem perder timing com o quarterback. Isso parece detalhe pequeno, mas vários tight ends universitários simplesmente atravessam zonas defensivas em velocidade constante, facilitando o trabalho dos linebackers.

Lance Mason, TE, #86

Mason wins with nuance rather than burst. The tape shows a TE who varies his stem, uses subtle head fakes to manipulate leverage, and consistently settles into voids against underneath coverage. He creates clean throwing windows by disrupting defenders’ angles and spacing.

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— alexcastrofilho.bsky.social (@alexcastrofilho.bsky.social) 30 de maio de 2026 às 23:04

Mason altera ritmo no stem, usa pequenos head fakes para influenciar leverage e entende como “esperar” entre defensores sem carregar o marcador junto para a janela de passe. Em conceitos de stick, spacing e shallow sit, constantemente aparece oferecendo alvo limpo ao quarterback.

Várias recepções importantes em Wisconsin vieram justamente de sua capacidade de reconhecer voids em underneath coverage enquanto ajustava trajetória para evitar contato físico no meio da rota. Ele não vence através de separação explosiva; vence criando desconforto nos ângulos do defensor.

Lance Mason, TE, #86

Against aggressive defenders, Mason consistently uses subtle tempo changes to manipulate leverage and create separation. On this rep, a slight hesi forces the CB to stall his feet and lose timing, opening unexpected vertical separation. His hands remain his most NFL-ready trait

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— alexcastrofilho.bsky.social (@alexcastrofilho.bsky.social) 30 de maio de 2026 às 23:09

Contra defensores mais agressivos, Mason frequentemente usa pequenas hesitações para manipular o adversário e conseguir criar separação. No snap acima, contra um defensor mais rápido, ele consegue separação vertical (algo não tão esperado dada sua capacidade atlética) com a sutil mudança no ritmo, faz com que o CB pare e perca o timing.

As mãos provavelmente representam sua melhor ferramenta NFL-ready.

Lance Mason, TE, #86

Mason is a natural hands catcher with impressive body control. He adjusts well to off-target throws, extends comfortably outside his frame, and tracks the ball cleanly through traffic. His functional catch radius plays bigger than his size.

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— alexcastrofilho.bsky.social (@alexcastrofilho.bsky.social) 30 de maio de 2026 às 23:46

Ele é um recebedor extremamente confortável fora do frame corporal. Ajusta bem bolas altas, trabalha extensões naturais e raramente parece desconfortável rastreando passes em tráfego. O catch radius funcional acaba sendo maior do que seu tamanho sugere justamente porque ele tem boa coordenação corporal no ponto de recepção.

Lance Mason, TE, #86

One of the more underrated aspects of Mason’s game is his post-catch transition. He routinely secures the ball in stride and immediately becomes a runner, eliminating wasted movement after the catch.

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— alexcastrofilho.bsky.social (@alexcastrofilho.bsky.social) 30 de maio de 2026 às 23:13

Mais importante: ele recebe a bola já preparado para transição pós-catch. Muitos tight ends universitários “morrem” após a recepção, precisando de tempo para recolher o corpo antes de virar corredor. Mason frequentemente captura em stride e imediatamente entra em modo runner. Isso ajuda bastante seu perfil em conceitos rápidos.

Lance Mason, TE, #86

Mason isn’t an explosive athlete, but his toughness after the catch stands out. He runs with good pad level, fights through contact, and consistently earns extra yards. Subtle cuts and angle adjustments in traffic help him turn routine catches into chain-moving gains.

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— alexcastrofilho.bsky.social (@alexcastrofilho.bsky.social) 30 de maio de 2026 às 23:38

E apesar de não ser um atleta explosivo, existe agressividade interessante após a recepção. Ele corre com pad level relativamente compacto, absorve contato melhor do que o frame indicaria e tenta constantemente terminar jardas extras. Não é elusive em campo aberto como um tight end flex moderno, mas possui boa criatividade em espaço congestionado. Pequenos cuts, mudança de ângulo e contato balanceado ajudam a transformar ganhos modestos em first downs.

Lance Mason, TE, #86

Mason’s feel for zone coverage stands out on tape. He understands leverage, works effectively between the hashes, and consistently finds space against linebackers. Separation comes from tempo and route pacing rather than athleticism, as shown on this rep against Caleb Downs.

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— alexcastrofilho.bsky.social (@alexcastrofilho.bsky.social) 30 de maio de 2026 às 23:04

Ele mostra refinamento em spacing contra zonas, entendimento de leverage contra linebackers e uma habilidade consistente de encontrar janelas intermediárias trabalhando entre hashes. Ele não criava separação através de explosão pura. Criava através de ritmo. Como ele faz aqui contra Caleb Downs (como já dito o ataque aéreo de Wisconsin era péssimo)

Lance Mason, TE, #86

Wisconsin helped refine Mason’s blocking technique. The strength concerns remain, but his angles, leverage, and effort improved against better competition. He’s most effective on split-flow and sift actions, where positioning and timing matter more than raw power.

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— alexcastrofilho.bsky.social (@alexcastrofilho.bsky.social) 30 de maio de 2026 às 23:45

O ano em Wisconsin foi muito positivo para ele. Ajudou a refinar sua técnica como bloqueador, mesmo que ainda precise de muito trabalho, é fácil ver uma evolução, principalmente nos ângulos tomados, atitude e técnica num nível de competição maior.

Quando alinhado em movimento, vindo de sift action, split-flow ou orbitando formações condensadas, Mason consegue usar ângulos melhores para bloquear em espaço. Nessas situações, seu problema de play strength diminui porque ele não precisa absorver potência diretamente no peito durante reps longos. Ele trabalha mais em posicionamento, timing e leverage lateral.


Problemas e limitações

Lance Mason, TE, #86

Mason lacks the size and play strength to consistently function as a true inline blocker. His anchor can collapse quickly against long, heavy-handed edge defenders, particularly on inside zone and duo concepts. Asking him to hold up 1v1 at the point of attack is a concern.

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— alexcastrofilho.bsky.social (@alexcastrofilho.bsky.social) 30 de maio de 2026 às 23:35

Ele não possui tamanho para sobreviver consistentemente como inline blocker tradicional. Colocá-lo isolado contra EDGE defenders pesados em wide zone ou pedir que sustente anchor em protection por muito tempo provavelmente termina mal na NFL. Seu frame não suporta esse tipo de carga de maneira consistente. Quando precisa sustentar contato direto no ponto de ataque, especialmente contra jogadores com mãos pesadas e bom comprimento, seu anchor colapsa relativamente rápido. Isso aparece bastante em reps de inside zone e duo.

Lance Mason, TE, #86

Defenders can get into Mason’s chest too easily, raising his pad level and stalling his movement at the point of attack. Even when his hand placement is correct early in the rep, he lacks the functional strength to consistently sustain blocks through the whistle.

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— alexcastrofilho.bsky.social (@alexcastrofilho.bsky.social) 30 de maio de 2026 às 23:44

Defensores conseguem entrar em seu peito cedo demais, levantar seu pad level e eliminar completamente sua capacidade de gerar movimentação. Mesmo quando posiciona as mãos corretamente inicialmente, falta força funcional para sustentar o rep até o final da jogada.

Lance Mason, TE, #86

There are reps where Mason arrives in good position as a blocker but fails to sustain because his feet stop on contact. Rather than reworking leverage and staying active through the rep, he absorbs force passively. NFL defenders will shed those blocks much more consistently.

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— alexcastrofilho.bsky.social (@alexcastrofilho.bsky.social) 30 de maio de 2026 às 23:34

Há snaps onde Mason chega bem posicionado, mas perde sustentação porque seus pés param no contato. Em vez de continuar trabalhando leverage e reposicionamento corporal, ele acaba absorvendo força passivamente. Contra atletas NFL, isso tende a gerar sheds rápidos.

Lance Mason, TE, #86

Mason lacks the burst to consistently separate. He’s slow to accelerate and doesn’t gain much ground out of breaks, allowing athletic safeties to stay in phase. The tape shows a functional player, but not one with a standout trait.

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— alexcastrofilho.bsky.social (@alexcastrofilho.bsky.social) 30 de maio de 2026 às 23:50

Como recebedor, o problema maior está na ausência de explosão. Ele demora para acelerar saindo da linha e também perde tempo em mudanças bruscas de direção dentro das rotas. Safeties mais fluidos conseguem espelhar seus breaks sem precisar comprometer leverage profundamente. Isso reduz bastante seu teto vertical.

O tape mostra um jogador tecnicamente funcional, mas sem traços realmente diferenciados. E para prospects UDFA, isso importa muito porque o caminho para roster geralmente exige alguma característica específica capaz de sustentar papel imediato: elite em special teams, explosão rara, blocking dominante ou mismatch físico evidente.


Veredito

A projeção mais realista para Lance Mason provavelmente passa por um caminho relativamente específico. Ele precisa convencer uma comissão técnica de que consegue oferecer valor como peça híbrida: alinhando fora da linha, trabalhando motions, atuando em heavy packages móveis e contribuindo em special teams.

Em estruturas ofensivas que valorizam multiplicidade pré-snap, ele possui algumas ferramentas interessantes. Sua inteligência espacial, confiabilidade nas mãos e disciplina de execução podem transformá-lo em um alvo secundário funcional em situações específicas.

Mas, para isso acontecer, porém, existem dois pontos fundamentais de desenvolvimento.

Primeiro: ganho de força funcional. Não necessariamente para virar inline blocker dominante, mas ao menos para sobreviver sem colapsar imediatamente contra contato pesado.

Segundo: refinamento de rota.

Porque sem explosão acima da média, Mason precisará vencer cada vez mais através de nuance técnica. Melhor manipulação de leverage, maior eficiência nos breaks e expansão de árvore de rotas podem ajudá-lo a criar separação suficiente contra atletas NFL.

A disputa não vai ser fácil o time terminou com 4 TEs + Brady Russell no roster do ano passado e ainda trouxe o veterano Harrison Bryant durante a offseason. Eu vejo um bom potencial como recebedor, mas para mostrar isso, ele vai precisar sobreviver a fisicalidade que a posição de TE exige na NFL.

Vejamos se ele será capaz disso.

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