Seahawks nem sequer fizeram proposta para manter Kenneth Walker

A saída de Kenneth Walker III foi uma das decisões mais discutidas da offseason do Seattle Seahawks. Com o running back brilhando no Kansas City Chiefs e o jogo terrestre de Seattle enfrentando dificuldades no início da temporada, a escolha de investir em Rashid Shaheed em vez de manter o MVP do Super Bowl virou motivo de questionamento entre torcedores. Mas uma nova informação muda parte dessa discussão: os Seahawks sequer fizeram uma proposta para renovar com Walker antes da free agency.

A informação foi publicada por Mike Dugar, do The Athletic, com base em fontes da liga que não tinham autorização para falar publicamente sobre o assunto. Segundo a reportagem, o desempenho de Walker na pós-temporada elevou tanto seu valor de mercado que ele acabou ficando fora da realidade financeira de Seattle. A matéria também afirma que não houve conversas sérias para manter o running back, nem mesmo durante a comemoração do título.

O detalhe é importante porque muda a maneira como devemos analisar uma das principais decisões de John Schneider na offseason. Não se trata apenas de discutir se valia a pena pagar Walker em vez de investir em Shaheed. De acordo com a reportagem, Seattle nem sequer colocou uma oferta na mesa para tentar manter o jogador que teve papel decisivo na conquista do título do Super Bowl.

O desempenho nos playoffs mudou o mercado de Walker

Walker encerrou a temporada de 2025 com 1.027 jardas terrestres, mas dividiu oportunidades com Zach Charbonnet durante boa parte do ano. Charbonnet terminou a temporada regular com 12 touchdowns terrestres, contra cinco de Walker, e também disputou mais snaps ofensivos.

A situação mudou drasticamente nos playoffs. Depois que Charbonnet rompeu o ligamento cruzado anterior na vitória sobre o San Francisco 49ers, Walker assumiu o protagonismo no jogo terrestre. Foram 313 jardas e quatro touchdowns ao longo dos três últimos jogos da campanha, incluindo a atuação que lhe rendeu o prêmio de MVP do Super Bowl contra o New England Patriots.

A sequência elevou o valor do running back justamente quando ele estava prestes a entrar no mercado de agentes livres. O Kansas City Chiefs aproveitou a oportunidade e ofereceu um contrato de três anos e US$ 43 milhões, colocando Walker entre os running backs mais bem pagos da NFL.

Segundo o The Athletic, porém, a questão não foi simplesmente Seattle perder uma disputa por Walker. As fontes ouvidas por Dugar indicam que os Seahawks não apresentaram uma proposta antes da abertura da free agency.

O próprio jogador já havia dado sinais de que esperava deixar Seattle. Em maio, durante uma entrevista a Mike Florio, do Pro Football Talk, Walker afirmou que percebeu ainda durante a temporada que provavelmente não continuaria na equipe.

As declarações ajudam a entender o contexto de uma saída que não parece ter sido uma surpresa para o running back. Apesar de ter sido escolhido na segunda rodada do Draft de 2022 e de ter encerrado sua passagem por Seattle com uma atuação histórica, não houve uma tentativa formal de renovação, segundo a reportagem.

A decisão de contratar Shaheed ganha outro contexto

Uma das críticas mais frequentes à offseason dos Seahawks envolve justamente a comparação entre os investimentos feitos em Shaheed e a saída de Walker. Seattle fechou com o wide receiver e especialista em retornos um contrato de três anos e US$ 51 milhões, enquanto Walker assinou por três anos e US$ 43 milhões com Kansas City.

À primeira vista, é uma comparação tentadora. Shaheed recebeu um compromisso financeiro significativo, mas Seattle ainda não encontrou a mesma eficiência no jogo terrestre que tinha com Walker. O ataque vem sofrendo para manter a consistência, e a dificuldade de estabelecer a corrida aumentou a pressão sobre Sam Darnold.

Entretanto, a reportagem do The Athletic acrescenta uma informação fundamental: não há indicação de que Seattle tenha feito uma oferta a Walker e depois escolhido Shaheed em seu lugar. O que a matéria afirma é que os Seahawks não apresentaram proposta ao running back antes da free agency.

Isso não significa que a decisão da franquia esteja livre de questionamentos. Schneider e a comissão técnica precisavam avaliar o custo de manter um running back vindo de uma pós-temporada excepcional, seu histórico de lesões, a divisão de oportunidades com Charbonnet e as demais necessidades do elenco. Também precisavam decidir como distribuir os recursos disponíveis para montar um time capaz de voltar a brigar pelo título.

Mas existe uma diferença entre avaliar essas prioridades e tentar renovar com um jogador. Se a informação de Dugar estiver correta, Seattle não chegou a fazer essa segunda parte.

Por isso, a discussão não deveria se limitar a dizer que os Seahawks preferiram Shaheed a Walker. A pergunta mais relevante é por que a franquia não tentou sequer apresentar uma proposta ao jogador que acabara de ser decisivo na conquista do Super Bowl.

Reencontro no domingo coloca a decisão em evidência

O momento não poderia ser mais oportuno para reacender esse debate. No próximo domingo, Kenneth Walker retornará ao Lumen Field pela primeira vez como adversário, quando o Chiefs enfrentar os Seahawks no Sunday Night Football.

Sua estreia em Kansas City tem sido espetacular. Na reportagem do The Athletic, Walker aparece com 665 jardas terrestres e seis touchdowns em cinco partidas, liderando a NFL em jardas corridas naquele momento. Ele também ajudou a transformar o jogo terrestre dos Chiefs em uma das armas mais produtivas da liga, oferecendo a Patrick Mahomes uma alternativa capaz de punir defesas que concentram sua atenção no passe.

Em Seattle, o cenário é bem diferente. Segundo os números apresentados pelo The Athletic, o grupo de running backs dos Seahawks somava 539 jardas e três touchdowns, mesmo com Walker tendo produzido mais jardas individualmente e disputado uma partida a menos. As lesões ajudam a explicar parte do problema: o calouro Jadarian Price, por exemplo, foi colocado na injured reserve por causa de um problema no peito. Ainda assim, a diferença de produção chama a atenção.

O confronto também será um teste importante para a defesa de Seattle. Os Seahawks vêm se destacando na contenção do jogo terrestre adversário e tentarão frear um jogador que conhece bem a organização, seus companheiros e o estádio. Walker chega ao duelo com média de 133 jardas terrestres por partida, enquanto Seattle tenta manter uma sequência impressionante: a equipe não permite que um running back adversário ultrapasse 100 jardas terrestres desde a Semana 8 da temporada de 2024.

Para Walker, será a oportunidade de mostrar o quanto seu papel mudou desde a saída de Seattle. Em seu antigo time, dividia oportunidades com Charbonnet e não recebeu uma proposta para continuar. Em Kansas City, tornou-se uma peça central de um ataque que explora sua explosividade e lhe entrega mais oportunidades.

Para os Seahawks, o reencontro representa mais do que enfrentar um ex-jogador. É a chance de medir o impacto de uma decisão que se tornou cada vez mais difícil de defender diante dos problemas ofensivos deste início de temporada.

A reportagem não responde a todas as perguntas sobre o planejamento financeiro de Seattle, nem prova que uma eventual oferta teria sido suficiente para convencer Walker a ficar. Mas esclarece um ponto decisivo: os Seahawks não fizeram uma proposta para renovar com seu MVP do Super Bowl.

No domingo, Walker terá a chance de mostrar em campo o que Seattle deixou para trás. E os Seahawks terão de lidar com as consequências de uma offseason em que, segundo a reportagem, sequer tentaram colocar um contrato na mesa.

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